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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quais os desafios que a vida contemporânea coloca para as práticas de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa?

Por prof. Eliorefe Cruz Lima



Ao longo das discussões do fórum 2, ficou claro, na opinião dos participantes, que o uso das TICs - Tecnologias da Informação e Comunicação - na sala de aula são indispensáveis. As mídias de rapidez: o rádio, o cinema, a televisão, especialmente a internet com as redes sociais em transformações e evoluções constantes, exigem mudanças no currículo e em nossa prática pedagógica no cotidiano. As leituras e a produção de texto na escola não podem ficar só nas capacidades básicas da decodificação da escrita de forma linear, mas associá-las à compreensão (relacionar o texto com o conhecimento de mundo), apreciação (recuperar o texto ao seu contexto de produção) e réplica (estabelecer relação com outros textos). E não continuar, ainda, apenas em mais “um processo de repetir, de revozear falas e textos de autor(idade) – escolar, científica – que devem ser entendidos e memorizados para que o currículo se cumpra”.( ROJO,2004).

Outras ideias fundamentais discutidas no fórum 2,consideradas como desafios nas práticas de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, foram: a adequação da linguagem do professor à do aluno para que possa haver a interação. Pensando nessa perspectiva, foi discutido que sempre devemos ter em mente a pergunta de Travaglia,( 1996) e lançá-la aos nossos alunos: “ Para que se dá aula de português a falantes nativos de português?” A resposta mais adequada seria, talvez, mostrar ao aluno a necessidade do desenvolvimento de algumas competências imprescindíveis ao longo de sua formação acadêmica : a competência comunicativa – empregar a língua adequadamente nas mais diversas situações de comunicação. A competência gramatical ou linguística – gerar sequências gramaticais (frases, orações) admissíveis, aceitáveis como uma construção lógica, própria e típica da língua em questão. A capacidade de, com base nas regras da língua, gerar um número infinito de frases gramaticais. A competência textual: desenvolver a capacidade formativa – produzir e compreender textos diversos e avaliar a boa ou má formação de um texto dado. A capacidade transformativa – transformar um texto já existente em outro, modificando, reformulando, resumindo. A capacidade qualificativa – dizer que gênero textual escrito pertence um dado texto (cf op. cit p.17,18). Além disso, outra ideia bastante valorizada nas discussões do fórum foi a necessidade de se trabalhar com os alunos os gêneros textuais orais / multimodais. Conforme o tópico 2,do tema 3,da agenda 8 de 2011: “os gêneros de discurso (escritos e orais) como objetos de ensino,” foi definido



texto multimodal ou multissemiótico [...] aquele que recorre a mais de uma modalidade de língua/linguagem ou a mais de um sistema de signos ou símbolos (semiose) em sua composição: língua oral e escrita (verbal) linguagem corporal ( gestualidade, danças, vestimentas) áudio (músicas e outros sons não verbais) imagem estática e em movimento, compõem hoje os textos da contemporaneidade, tanto em veículos impressos como nas mídias analógicas e digitais.




Aqui estão os segredos para diversificarmos nossa prática docente e vencermos “os desafios que a vida contemporânea coloca para as práticas de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa.” Só assim, nossos alunos encontrarão motivos para aprender significativamente e “empregar a língua adequadamente nas mais diversas situações de comunicação”. (TRAVAGLIA, 1996)

Considerando as discussões do fórum 2 , mais as do primeiro encontro presencial na Delegacia de Ensino e com a leitura do texto Culturas jovens e cultura escolar ,especialmente página 8, parágrafos 2 e 3 de Fanfani (2000), achamos que foram completares. Assim, o autor não alterou as ideais discutidas no fórum nem no encontro presencial. Pelo contrário, os professores são / foram unânimes em dizer que “hoje, é impossível separar o mundo da vida do mundo da escola. Os adolescentes trazem consigo sua linguagem e sua cultura. A escola perdeu o monopólio de inculcar significações [...]” (p.8) diversificadas no ensino-aprendizagem. No entanto Fanfani, chama a nossa atenção que “em muitas ocasiões, as instituições escolares tendem ao solipsismo e a negar a existência de outras linguagens e saberes” (op.cit.p.8) dos jovens que adentram à escola. Isso aconteceu / acontece no sistema de ensino brasileiro, especialmente o público, com a democratização do acesso à escola para todos. A massificação do ensino, trouxe para a sala de aula uma clientela heterogênea. E as instituições de ensino não estão preparadas para essa nova demanda. Pelo contrário, vem à tona, segundo Rojo (2004) a “ineficiência da escola e a sua distância em relação às práticas sociais significativas [...]. As práticas didáticas de leitura no letramento escolar não desenvolvem senão uma pequena parcela das capacidades envolvidas nas práticas letradas exigidas pela sociedade abrangente”. Desta forma, as leituras e redações na escola parecem incompatíveis com as que os alunos conhecem. Além disso, o professor não leva em consideração – por negligência ou por desconhecer- “as posturas construtivista piagetiana e sócio-histórica vygotskiana” (ROJO, 2004.) Além de todas as teorias abordadas e endossadas até aqui, concluímos, também, que estes teóricos (Piaget e Vygotsky) são fundamentais para o professor compreender que o aluno traz consigo linguagens e conhecimentos de mundo que deveriam ser usados no processo de construção da leitura e da escrita na sala de aula.



Referências Bibliográficas


FANFANI, Emilio Tenti. Culturas jovens e cultura escolar. In: Documento apresentado no seminário. “Escola Jovem: um novo olhar sobre o ensino médio.”. Organizado pelo Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Coordenação-Geral de Ensino Médio. Brasília, de 7 a 9 de junho de 2000.

História da Disciplina de Língua Portuguesa no Brasil. Agenda 8.Tema: 3. O séc. XXI – dos PCN aos letramentos múltiplos. Disponível . Acesso em: 12 out.2011.

ROJO, R. H. R. Revisitando a produção de textos na escola. In G. Rocha & M. G. Costa Val (orgs) Reflexões sobre práticas escolares de produção de texto – o sujeito-autor. BH: CEALE/ AutIentica,2003. pp. 185-205.

____________Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. Texto de divulgação científica elaborado para o Programa Ensino Médio em Rede, Rede do Saber/CENP_SEE-SP e para o Programa Ler e Escrever - Desafio de Todos, CENPEC/SME-SP. SP: SEE-SP e SME-SP, 2004.

TRAVAGLIA, Luís Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de 1o. e 2o. graus. São Paulo, Cortez, 1996, pp. 17,18.

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