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terça-feira, 15 de novembro de 2011

A percepção do estético: O que é uma leitura significativa

Por Eliorefe Cruz Lima

A percepção do estético de qualquer leitor dependerá de fatores internos e externos intrínsecos ao objeto que lhe é exposto para apreciação.

É comum ouvirmos, no contexto escolar, que o aluno não sabe interpretar ou inferir o que há de mais belo em um texto ou em uma obra de arte. No entanto, esquecemos que o sentido de leitura não é apenas decodificarmos o que ali está na superfície textual, seja ele verbal ou não verbal, pois uma leitura compreensiva dependerá de nossa historicidade, pois ao lermos ou observamos um texto /um filme / uma pintura / ou uma música, devemos saber em que condições, circunstâncias, contextos históricos e culturais o tal objeto do conhecimento foi produzido, e quais os objetivos ali propostos.

Pensando por esse lado, podemos relacionar o campo editorial que visa o lucro, com a percepção do estético em dada obra. Se o objetivo de qualquer editora é comercializar a obra, os critérios para a publicação de um original se pautariam no estilo, na empatia e numa linguagem acessíveis aos padrões dos leitores do século XXI. Além disso, o contexto social, político, econômico e cultural recorrentes, seriam estratégias mais convincentes como formas de cativar o brasileiro de hoje a vislumbrar-se com a percepção do estético em dada obra. Assim, o lucro estaria garantido. Agora, se determinada editora souber que o autor de um original já é consagrado pela História, pelo campo acadêmico e científico, mesmo com uma linguagem rebuscada e longe do contexto presente, os elementos de avaliação seriam considerar o autor no seu contexto histórico, social e político da época como pretexto para compreender o presente.

Da mesma forma, a experiência realizada pelo jornal The Washington Post que objetivava verificar se as pessoas reconheceriam a qualidade da apresentação de Joshua Bell, em contextos diferentes que, dias antes, havia tocado no Symphony Hall de Boston e depois, a mesma apresentação numa estação de metrô, e pela Folha de São Paulo, que enviou sem identificar o verdadeiro autor de um romance de Machado de Assis a seis das maiores editoras de literatura pelas quais foi recusado, trazem à tona as questões do objetivo, do contexto, e do destinatário que se quer atingir com determinada obra de arte. Assim como os jornais O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e o Agora São Paulo usam uma linguagem ou registros verbais adequados a cada público, com um propósito de fisgar cada leitor e comprar o jornal, assim também, a percepção, a compreensão e a inferência de determinada obra serão determinadas pela historicidade de cada leitor, telespectador, observador. Portanto, se ele não tiver um conhecimento prévio da indústria cultural, determinado objeto de apreciação não lhe fará sentido.

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