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quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Gíria Policial

Por Eliorefe Cruz Lima - professor


Considerações iniciais


Este artigo tem como objetivo elucidar o conceito de gíria em Silva (1973:9); Penalva (1982:10, 11); Saraiva (1973:9).Além disso, verificar a sua origem sob a visão de vários especialistas no assunto e demonstrar que ela faz parte da língua em todas as camadas da sociedade, apesar de ser vista com preconceito por não termos algum conhecimento sobre o assunto. Como exemplo, para justificar o conteúdo teórico, analisamos um corpus de A Gíria da Policia Civil da Cidade São Paulo, resultado de uma pesquisa feita de 09/12/2005 a 09/06/2006. Paralelo a esse conteúdo, também analisamos algumas frases verbais, nominais e algumas expressões capturadas no site de relacionamento, o Orkut.
Antes, é pertinente frisar que estudar a gíria, até o presente momento, sempre foi um problema, devido à escassez de fontes especializadas.
Essa problemática deve-se, talvez, pela falta de interesse de pesquisadores, em especial os linguistas, em estudar a gíria. Isso já demonstra preconceito por esse tipo de vocábulo, ou de estudo.
A essa escassez e preconceito implica numa outra problemática: uma teoria básica comum. Por isso, recorremos, ao longo do artigo, a várias teorias que tratam do fenômeno.
Sobre isso Preti (1984:4) afirma:


...este tipo de estudo tem sido objeto do interesse de muitas disciplinas, como a Sociologia da Linguagem, a Sociolinguística, a Lexicologia, a Semântica, a Sociologia, a Psicologia Social etc.

Porém, tivemos o cuidado de observar o corpus da língua oral, neste caso A Gíria da Polícia Civil da Cidade São Paulo, relacionando os fatos sociais pertinentes à criação desse tipo de gíria. Assim, acreditamos estarmos



dentro dos limites da Sociolinguística e da Sociologia da Linguagem, isto é, numa perspectiva de interação entre língua e sociedade, considerando-se aquela como reflexo desta.(op.cit p.4)(Grifo nosso).



Dessa forma, acreditamos que, a realidade da profissão policial com o mundo da marginalidade é um contexto que contribui para o uso de uma linguagem criptológica como forma de defesa e segurança pessoal.
Essa preocupação com a segurança por meio de uma linguagem hermética, é confirmada por um investigador do GARRA quando nos entregou uma lista de códigos usados em operações especiais nas ruas da cidade de São Paulo:
“- Olha, não vai publicar isso não. Porque usamos esses códigos para a nossa própria segurança”.


1. Um pouco de história sobre a gíria e sua definição


Apesar de a gíria, no século XXI, já ter avançado em todos os segmentos da sociedade por meio da mídia, ainda assim, existe resistência em muitas camadas da sociedade em aceitar esse tipo de vocabulário. Isso, talvez, acontece pela falta de conhecimento do fenômeno.
Localizar a origem da gíria e a sua definição são tarefas difíceis. É um assunto em que há controvérsia quanto à exatidão de sua gênese e também de uma definição precisa. Os historiadores sociais da linguagem fazem transparecer as dificuldades de se precisar a origem e definição por se tratar de um fenômeno que “existiu em todos os tempos e em todos os países,”. Entretanto, “os autores que escreveram sobre gíria concordam em atribuir sua origem ao jargão do século XV e como seu berço, o Pátio dos Milagres” ,na França.( Casciani 1948).Ainda sobre a origem da gíria Nobre (1986:7) comenta:

Uma das primeiras referências escritas ao uso das gírias contém-se na comédia Eufrósina de Jorge Ferreira de Vasconcelos cuja primeira edição data de 1555.Escrita por cerca de 1542/43,nela se refere, em duas passagens distintas, ‘ quando elles querem fallão germania’ e ‘ que viva convosco, para que me ensineis essa aravia.’

Em seguida o autor comenta que

o termo “germania” talvez seja “sinônimo de gíria” em decorrência das relações, que naquele tempo ,Portugal já “mantinha com países estrangeiros e da expansão marítima e comercial.” E quanto ao termo “aravia,(do árabe, arabya, língua, idioma),redundaria em algaravia, ainda hoje sinônimo de palavreado confuso, verborreia imperceptível.(op.cit.p.7) (grifo nosso)

Assim, constatamos, nas circunstâncias mais diversas, que as pessoas sentem a necessidade de se comunicarem com seu código especial desde as primeiras civilizações. Desse modo, achamos pertinente frisar a importância do meio social no qual a gíria surge. Para isso, achamos de suma importância recorrer a algumas noções sociológicas sobre:
I. Grupo.
II. Grupos pessoais e grupos externos.
III. Grupos primários e grupos secundários.
IV. Comunidade linguística.
V. A imagem e a linguagem estereotipada.
VI. Estereótipo / ethos.
VII. O meio como fator extralinguístico da criação da gíria policial.
Essas noções, a seguir, têm a finalidade de inserir os policiais civis entrevistados, para o desenvolvimento deste artigo, em um grupo que, por vários fatores, usam uma linguagem peculiar. E assim, reafirmar a fileira de alguns estudiosos da linguagem de que todo grupo social tem a necessidade de se comunicar usando um vocabulário específico e ao mesmo tempo se valer do seu saber linguístico, e usá-lo, nas mais diversas situações de comunicação. E com isso, demonstrar que os policiais civis da cidade São Paulo, aqui entrevistados, também se inserem num grupo usuário de uma linguagem criptológica em função de uma profissão de alto risco. Por isso, eles sentem a necessidade de utilizar uma linguagem hermética com o objetivo ,entre outros ,de se resguardarem dos marginais nas diligências do dia a dia da profissão .



1.2. Definição de gíria


A gíria como fenômeno social e pertencente à língua oral, todos nós estamos a fazer uso dela de alguma forma. Isso depende da classe social e o contexto no qual estamos inseridos. Segundo Marouzeau, (apud Silva (1973:9), a gíria é

‘Vocabulário parasito que empregam os membros de um grupo ou ca¬tegoria social com a preocupação de se distinguirem da massa dos sujeitos falantes. ’

Em seguida, Silva reafirma e exemplifica:

Esta definição aplica-se à gíria em sentido estrito. Neste sentido temos a lin¬guagem dos marginais. Os malandros usam uma fala especial, só conhecida por eles, com a finalidade de fugirem à ação policial.
Esta linguagem está em constante renovação. Em vez de "revólver", dizem "berro". Em lugar de "bala", usam o termo "azeitona". Por "assaltar uma residência" empregam "fazer uma goma".
Os militares, os estudantes, os motoristas, pôr exemplo, possuem um vocabu¬lário próprio, que nem sempre é entendido pelo comum do povo. Mas isso por causa ao meio em que vivem, em que desenvolvem as suas ativldades. (op.cit.p.9)

Vendryes (apud Penalva (1982:10, 11) também define o sentido de gíria

[...] como linguagem difícil de entender, algo secreta e até ilegal [...] é urna linguagem especial, de grupos profissionais definidos. Possui condições de vivência que os linguistas lhe usaram, para caracterizá-la dentro da língua comum, da qual ela provém.

Segundo Sébillot, (apud Saraiva 1973:9) esse fenômeno


[...] vamos encontrar na linguagem do povo, [...], com termos de malandros, desocupados, vadios e desavergonha¬dos.



Em seguida, Saraiva (op.cit.p.9) conclui que

a Gíria, é um fenómeno nascido da linguagem popular, [atravessa] a sociedade, desde tempos remotos, até a jovem guarda que ainda não parou no mundo da literatura, da música, da pintura e toda instrumen¬tação das artes plásticas, com criatividades fascinantes e encantadoras. Iniciando se restritamente ligada a determinados grupos, notadamente de ladrões, malfeitores, malandros e vadios, repletos de periculosidades, a Gíria, anos depois, situou-se na área da fraseologia particular, ou na¬queles que usam a mesma profissão ou arte, com manhas, astúcias e sagacidade, isto é, no bom sentido. Nos meios comerciais, onde mais penetramos pelas condições de nossa vivência sócioeconômica, a Gíria invade a classe, desde nosso tem¬po de infância [...]


1.2.1. O jargão, o calão e a gíria: problemas de designação


Distinguir o jargão, o calão e a gíria, tem sido uma problemática, pois hoje os três termos parecem que designam a mesma sinonímia. Vejamos a diacronia desde quando o fenômeno apareceu em estudos remotos até os tempos contemporâneos.


Segundo (DOUBOIS, et al.1998:356)

o jargão foi, primeiramente ,uma forma da gíria, utilizada em uma comunidade, geralmente marginal, que sente a necessidade de não ser compreendida pelos não- iniciados ou de distinguir-se do comum[...]. Por extensão, jargão é empregado para designar uma língua que julgamos deformada, incorreta ou incompreensível: fala-se ,assim, do jargão de um mau aluno, do jargão de um filósofo.



1.2.2. O calão


O calão pode significar: Linguagem dos ciganos (caló = cigano; negro, pigmentado, cigano de Andaluzia)
Linguagem de grupos profissionais restritos. Estudantes universitários, colegiais, jornalistas etc. A linguagem de marginais do crime. A linguagem popular, numa de suas feições importada da linguagem de profissões. Uso mais comum em Portugal. Corresponderia, no Brasil, à gíria comum. (cf Silva, 1970).
Segundo Silva (1970), calão, “nasceu na Espanha ,para designar a fala dos ciganos” que “estavam sempre em companhia de malandros e malfeitores”. Assim, ”começou-se a usar a palavra ‘caló’ para designar a linguagem desta classe de gente.” Por fim, apoiado no prof. Artur de Almeida Torres, Silva faz uma vaga distinção entre gíria e calão. Este, seria ,quando há, na linguagem, um “ ‘caráter misterioso, para ocultar ideias, como meio de defesa dos criminosos de um agrupamento.’”. No entanto o autor chama a atenção para o fato de o termo calão no Brasil ser “mais ou menos ‘palavra obscena’” e “que muitos dos seus termos estão incluídos na gíria em sentido estrito.” Assim, ambos têm um caráter criptológico, dificultando uma distinção precisa entre si.

Segundo Nobre (1986:9),

a evolução do calão é reflexo da evolução do homem nos seus usos e costumes, nos seus acontecimentos históricos e nas suas conquistas técnicas.
E é realmente o vanguardismo tecnológico do nosso século que ditará, por outro lado, as novas correntes de gírias e que, por outro, a disseminará. A era da comunicação e da máquina multiplica gírias, difunde-as, institucionaliza-as.


1.2.3. Características do vocabulário gírio: aspectos socioculturais


A gíria é um aspecto da linguagem popular que reflete:

 A degradação dos valores sentimentais, morais e estéticos. É um vocabulário que serve para denegrir, para demonstrar irritação, agressividade. Há poucos vocábulos para indicar aspectos nobres ou delicados. Reflete os sentimentos primários. Pode indicar raiva, ódio, irritação, critica. Traduz as condições de vida do grupo em relação à sociedade: insegurança, miséria, revolta. É um vocabulário muito ligado aos instintos primários, cercados pelas proibições sociais. Abusa dos pejorativos do humor negro.
Exemplos:
Geladeira (cadeia – gíria de traficantes)
Grude (comida – gíria de presidiários)
Vomitar (grafitar rápido demais – gíria de grafiteiros)
Jumbo: (sacola de comida levada pelos familiares – gíria de presidiários)

 Os grandes problemas da vida do povo:
Dinheiro, sexo, fome, morte, delitos, aborrecimentos. Sarcasmo, ironia, ridicularização. Hostilidade em relação à sociedade. Visão irônica do mundo. Sentimento de ridículo. Desprezo pelo mundo.
Exemplos:

Jaula (cadeia); camburão (carro da policia); presunto (pessoa morta); pijama de madeira (caixão de defunto).
É um comportamento verbal de agressão, defesa, compensação.

Segundo (Doubois, et al.,1998:308),a


gíria é um dialeto social reduzido ao léxico, de caráter parasita (na medida em que ela outra coisa não faz que desdobrar, com valores afetivos diferentes, um vocabulário já existente),empregado numa determinada camada da sociedade que se põe em oposição às outras; tem por fim só ser compreendida por iniciados ou mostrar que pertencem a um determinado grupo .A gíria propriamente dita foi primeiramente a linguagem, dos malfeitores[...]


Na visão de Câmera (1989:283),a gíria


[...] caracteriza-se uma ATITUDE ESTILÍSTICA de desrespeito intencional à norma estabelecida. [...] só afirma a sua entidade pelo contraste com a norma culta da língua. [ É] ‘um misto de certos elementos de vivacidade, chiste, petulância e acinte. Um nível cultural baixo tende a fixar na língua comum esse conjunto de elementos, que revolta, em última análise ,da expressão pessoal, é por natureza efêmero e inconstante.


Segundo Martins, (apud Fusaro, 2001:1-4)


a origem da gíria, em termos lineares, é muito simples,: ela surge como elemento de autodefesa de um estrato social ou profissional .Em suma: apenas seus membros a entendem.[...]constitui uma forma de manifestação de grupos fechados, não poderia estar ausente seu caráter de agressividade ou crítica social [...] associações de ideias ou comparações com objetos ou situações de que a imaginação popular é rica. À medida que esses grupos usam os signos próprios para se comunicar com outros, a linguagem fechada termina por se difundir para um universo diferente do original. Muitos termos ,por serem demais particulares ,continuam restritos ao segmento onde nasceram, mas outros adquirem caráter genérico e vão parar nas páginas dos dicionários, a princípio com a observação ‘gíria’ ,depois talvez como ‘brasileirismo’ e finalmente, muitas vezes, incorporando-se ao léxico comum, sem nenhuma especificação maior


Em seguida Fusaro (2001:5, 6) diz que os falantes


fazem parte de um grupo com ocupações tão específicas que até desenvolveu um jeito próprio de se comunicar: a gíria. A gíria não chega a ter uma estrutura ou forma gramatical particular [...] Ela surge entre pessoas que se identificam por atividades esportiva, profissional ou atitude. Ela pode extrapolar o meio em que foi criada e contagiar outras tribos. Mas também pode não pegar, ou durar pouco e ser rapidamente esquecida [...] compreendida apenas por quem faz parte da mesma tribo, é uma forma de defesa e preservação da identidade. Funciona como um código exclusivo. Mas o simples contato com alguém do grupo de fora é suficiente para alastrar a palavra e acabar com segredo do grupo.[...] Quando é espalhada, a gíria está sujeita a mudanças de percurso. A expressão passa de boca em boca, vai ganhando acentos e significados diferentes do original(...) Os meios de comunicação, além de lançar novos termos ,são fortes propagadores da gíria que já existe.

Assim, o que era criptológico para a ser gíria comum.

Segundo Nobre (1986:7)


[...] a gíria, o calão, é o português diário, comum, ou quase secreto, que caldeamos na gramática para que a língua se sinta viva e útil [...] as palavras e expressões [...] serviram desde sempre a determinados grupos sociais ou profissionais para simplificar o seu falar ou tornar imperceptível a estranhos.


Segundo Correia (1958:3, 4,8,15),


O sentido comum de gíria como linguagem difícil de entender, [é] algo secreta e até ilegal [...] A gíria é uma linguagem especial, de grupos profissionais definidos. [...] enriquecimento das línguas comuns pela admissão de gírias [...] As gírias, pois, como linguagens especiais, resultam da segmentação social. Mas provêm da língua comum, da qual continuam a alimentar-se, à qual, muitas vezes voltam, por uma espécie de recriação, ou milagre semântico. [...] Locuções particulares de uma profissão, de uma categoria de pessoas’ [...] a gíria tem a conotação com uma vaga ideia ignominiosa, [de] língua estranha, peregrina, postiça, que se ouve falar sem compreender. Linguagem especial, adotada por certa gente. [...] a metáfora concorre para a gíria, com todo o seu poder de enriquecimento [...] as falas gírias, [...] transbordam de saúde polissêmica.


Segundo Gourmont (apud Ribeiro, B.T. & Garcez, P.M 1998:10),


o povo prefere usar metáfora a criar vocábulos novos’ ,[pois] a mudança semântica é muito mais fácil do que a invenção de palavras.[...] linguagem dos garotos, ciganos, e ladrões, pela qual eles se entendem, usando de termos inventados, ou dando novo sentido aos usuais. Há um dado importante quanto a abrangência social no uso da gíria de não corrermos o risco de restringi-la apenas “ à linguagem dos malandros, vadios, ratoneiros, malfeitores” mas que hoje podemos aplicar o uso da gíria a qualquer “agrupamento social [...] e a massa, que a cria e estimula, defende-a e ama-a. É um fato social, coletivo. Importa reconhecê-lo. (grifo nosso)

Correia, (apud Câmera 1958: 25,26) afirma que

a gíria é caracterizada por ‘ a atitude estilística de desrespeito intencional à norma estabelecida[...]um misto de certos elementos de vivacidade, chiste, petulância e acinte[...].Linguagem inusitada, e, por sua natureza ,efêmera e inconstante.[...] É (...) uma língua especial, que usa de vocabulário especial ,com renovação frequente de termos e expressões [que] focaliza a gíria como linguagem especial, mas com uma característica essencial de transitoriedade; linguagem que resulta da divisão do trabalho social, isto é, da especialização profissional das funções sociais ,representando classes e profissões, como a classe médica [...]: os clínicos, os cirurgiões; a classe bancária; na literária: os romancistas os poetas; a classe militar[...]: os marinheiros, os aviadores, os artilheiros, os paraquedistas, os policiais militares, os bombeiros ,os cadetes; na comerciaria: os lojistas, os balconistas, os atacadistas, os varejistas[...] e haverá tantas gírias quantos forem os grupos especializados. O que caracteriza a gíria é a sua infinita variedade; modifica-se incessantemente, segundo as circunstâncias e os lugares.


No processo da criação da gíria Correia afirma que ela

se alimenta, naturalmente, de criações individuais, de falas locais, de dialetos e subdialetos, e até de línguas estrangeiras vizinhas. (op.cit.p.27).

E tem a característica especial como qualquer gíria, de comunicar

com o toque de bom humor, chispante e claro; com a intenção de dizer ,no momento, o que se pretender ao momento; aqui se renovando, com frequência; ali, fazendo ressurgir um arcaísmo; acolá, criando um neologismo[...] Agiria – como expressão falada ou escrita ,simbólica às vezes, de sentimentos e pensamentos – é um significado acessional que a palavra adquire, por solicitações extraordinária, dentro de certos grupos humanos, profissionais.( op.cit.p.41,57)

Segundo Peregrino (apud Correia, 1958:59),


a gíria militar é das mais copiosas e expressivas. E tão dominadora que a intimidade da caserna atordoa os que nela são arremessados de repente.


É importante frisar que o uso da gíria não altera a estrutura de qualquer idioma, isso porque ela nasce já do vocabulário que já existe, dando, assim, novo sentido para determinado vocábulo.
Sobre isso, Viotti, (1956:13) fala de uma sessão ocorrida em 01/08/1946 na Academia Brasileira de Letras que apesar das modificações da língua em virtude de vários fatores, não alteram a estrutura do idioma:

[...] as modificações da língua portuguesa no Brasil [ocorrem] em virtude de condições geográficas e incidências étnicas e decorrentes da colonização lusitana, do elemento indígena, do africano [...] [mas] não atingiram a estrutura do idioma.


1.2.3.1. Cante e Slang e o preconceito


Lacerda, (apud Tacla, 1968:9) distingue o cant do slang,

Slang: é a gíria geral, a língua geral do populacho. Cant: é a língua particular de um setor, de uma parte dessa humanidade humilde e tumultuosa. [...] a gíria contribui para a evolução do idioma e que o setor criador dela é o mais descarado e desenvolto do povo ,[...] que declaram guerra à sociedade. São os revoltados primitivos, os desajustados, como se costuma dizer [...] é frequente ainda a contribuição cigana, espanhola, lusa, africana, conforme a seção a que se refere a gíria.

Em relação ao preconceito sobre o fenômeno da gíria, o autor deixa explícito isso:


Gênero, vindo lá de baixo, de fora da boa sociedade, a qual afinal incorpora não raro destorcida, a gíria dos inconformados e incompossíveis. [incompatíveis] (op.cit.p.9)


Ainda sobre o preconceito, Clerot (1959:7) faz um comentário interessante sobre a “linguagem semiculta” e “inculta” nas quais as vogais passam por modificações que dão a um determinado linguajar, características próprias, “subfalares [...] tão característicos que através de uma simples frase falada revelam a procedência do individuo”.
Sobre as modificações vocabulares que dão características próprias e procedência do individuo, Clerot (op. cit.) descreve o seguinte:




Prótese: acréscimo de um elemento fonético (sílaba ou som) no início de um vocábulo, sem alteração do significado (p.ex., abagunçar, de bagunçar);
Epêntese: intercalação de fonema não etimológico no interior de um vocábulo, por acomodação articulatória, eufonia, analogia. 'adição de uma letra ou sílaba no meio de uma palavra(p.ex.: lat. foedus,a,um > port. feo > feio; lat. stella > port. estrela; esp. cangrejo > port. Caranguejo)
Suarabácti: espécie de epêntese que consiste em se desfazer um grupo consonantal por meio da intercalação de uma vogal, como ocorreu com a palavra barata, originária do antigo brata (latim blatta), ou com braúna > baraúna; anaptixe
Aférese: processo de mudança linguística que consiste na supressão de fonema(s) no princípio do vocábulo (p.ex., de enojo formou-se nojo; de enamorar formou-se namorar);fessô(professor)
Síncope: desaparecimento de fonema(s) no interior de vocábulo (p.ex.: mor, que vem de maior; alma provém por síncope do/i/ de *álima, que vem do latim anima);relampear(relampejar);relampo(relâmpago),drumi(dormir)
Metátese: mudança lingüística que consiste na troca de lugares de fonemas ou sílabas dentro de um vocábulo (p.ex.: capio > caibo; semper > sempre; merulu > melro; estuprar > estrupar; depredar > depedrar; víbora > bívora);sastifeito(satisfeito); largatixa (lagartixa).
Assimilação: tipo de modificação que um fonema sofre por estar em contato com um fonema vizinho, do qual adquire traços articulatórios e ao qual se torna mais semelhante; coarticulação [Representa economia de movimentos articulatórios e desempenha papel importante na mudança linguística.] Ex.: o fonema p sofre assimilação ao t no grupo -ipt- da palavra latina scriptu, resultando scrittu no latim vulgar e escrito no português. Isqueci(esqueci);vistido(vestido).(grifo nosso)


Na visão de Victor (1969:9) o malandro é fruto do meio moral, social e econômico em que vive, pois

a injustiça social no desamparo material e moral à maioria da comunidade, inevitavelmente, provoca a desagregação [...] da interação social, estimulando o individualismo.

Diante disso, ele se afasta da comunidade ou do grupo social, e “por um sentimento de autodefesa” ele cria “condições autônomas” por meio da linguagem,

substituindo o valor dos vocábulos ,estabelecendo novos símbolos que exprimirão [...] o pensamento e a ação nessa luta social em que se empenha. Seu linguajar é dinâmico; metafórico em seu sentido geral; simbólico em sua essência; e o conhecimento dessa gíria tornar-se-á de tanto maior utilidade, quanto poderá esclarecer o seu comportamento social através do colorido bizarro, rústico e estranho, com o objetivo de “estabelecer um limite defensivo à sua condição de delinquente.(op.cit.p.9)


Segundo Silva (s. d: 7),

todas profissões têm a sua gíria própria; palavras interessantes, caricatas na maioria, porém as que mais despertam a curiosidade, são as que provêm do submundo dos parias, isto é, o linguajar dos delinquentes.!


1.2.3.2. Gíria comum ou gíria popular


Neste subcapitulo pretendemos estabelecer a diferença entre gíria comum e gíria popular.
Segundo Udinilson, et al (2001:182 ) a gíria é

[...] parte do vocabulário usado na linguagem da comunicação cotidiana necessária, espontânea e despoliciada, falada comumente pela média da população urbana e contaminada pelas linguagens especiais das pequenas comunidades


Guiraud (apud Dias, 1966: 74-94), fala que a

história da gíria está embutida a própria história da marginalidade e, portanto, explicar a evolução dos significados seria remexer a longa misteriosa dos marginais ,em luta com a sociedade, os quais, com frequência ,fazem da linguagem um elemento de defesa e segurança pessoal.

Silva (1973 )faz comentários sobre a infinidade de definições de gíria e as distinguiu em sentido estrito e em sentido lato. Em sentido estrito ele adotou a definição de Marouzeau :

‘ Vocabulário parasito que empregam os membros de um grupo ou categoria social com a preocupação de se distinguirem da massa dos sujeitos falantes.’

Silva acrescenta que esse tipo de gíria aplica-se à

linguagem dos marginais[ que]usam uma fala especial, só conhecida por eles, com a finalidade de fugirem à ação policial.[ E que] esta linguagem está em constante renovação.


Já a gíria no sentido lato seria o vocabulário usado por determinada classe, sem intenção, porém, de ‘distinguir-se da massa dos sujeitos falantes.’
Usa-se um vocabulário especial, em virtude da necessidade de expressão, não porque se deseje não ser entendido. Por exemplo


os militares, os estudantes, os motoristas,[...] possuem um vocabulário próprio, que nem sempre é entendido pelo comum do povo. Mas isso por causa do meio em que vivem e em que desenvolvem as suas atividades (op.cit.p.9)


2. Grupo

Para entender os usos e criações da gíria, vamos estudar o meio como fator propício a esse fenômeno. Para isso, na visão de alguns autores tentaremos definir o que seria:
I. Grupo.
II. Grupos pessoais e grupos externos.
III. Grupos primários e grupos secundários.
IV. Comunidade linguística.
V. A imagem e a linguagem estereotipada.
VI. Estereótipo / ethos.
VII. O meio como fator extralinguístico da criação da gíria policial.

No nosso saber partilhado, grupo seria qualquer reunião de pessoas mesmo que tal reunião não tivesse objetivos comuns. Para elucidar melhor essa questão, vamos recorrer a Horton & Hunt (1980:127-130), que, segundo eles, na Sociologia “não existe consenso sobre uma definição única”. Assim, os autores definiram quatro significados para o termo grupo:

Numa primeira acepção, o termo denota qualquer reunião física de pessoas(por exemplo , ‘um grupo de pessoas estava esperando...’ ). Nesse sentido, um grupo não precisa partilhar de coisa alguma além de proximidade física. Muitos sociólogos chamariam tal reunião de pessoas uma agregação ou uma coletividade.
Um segundo significado é o de numerosas pessoas que partilham de características comuns. Assim, os indivíduos do sexo masculino, os diplomados pela universidade, os médicos, os velhos, os milionários, os suburbanos e os fumantes de cigarros seriam grupos. Categoria seria um termo mais satisfatório, mas os sociólogos frequentemente usam ‘grupo’ em lugar de ‘categoria’, termo mais preciso, mas que talvez soasse mais desajeitadamente.
Outra forma de usar o termo define grupo como diversas pessoas que partilham de padrões organizados de interação recorrente. Isso excluiria todas as reuniões casuais e momentâneas de pessoas cuja interação é destituídas de um padrão de organização ou repetição, como os espectadores de um acidente de trânsito. Esta definição incluiria a família, a ‘panela’ de amizades, organizações como um clube ou igreja – qualquer espécie de contato coletivo entre pessoas que interagem repetidamente, consoante algum padrão de procedimentos e relacionamentos costumeiros.
Um outro uso bastante comum (que é de nossa preferência) é qualquer número de pessoas que partilham uma consciência de filiação e interação.Com essa definição ,duas pessoas esperando o ônibus não seriam um grupo mas tornar-se-iam um grupo se começassem uma conversa, uma luta, ou qualquer uma interação. Diversas pessoas caminhando por uma rua seriam uma agregação ou coletividade, não grupo, salvo se alguma coisa – um orador de rua, um acidente, um suicídio – captasse sua atenção e mantivesse seu interesse, transformando-as em uma audiência ,que é uma espécie de grupo. Um ônibus cheio de passageiros não seria um grupo, porque eles não tem consciência de interação entre si, simplesmente acontece de estarem no mesmo lugar ao mesmo tempo.

Em suma, grupo pode ser, qualquer reunião física de pessoas; número de pessoas que partilham características comuns; diversas pessoas que partilham de padrões organizados de interação recorrente; e qualquer número de pessoas que partilham de uma consciência de filiação e interação.
Em tempo de guerra, uma das preocupações do inimigo é o desbaratamento de um grupo coeso. Para defender esta tese, Horton & Hunt (1980) fundamentaram-se em pesquisas acerca de grupos militares que foram estudados intensivamente mais que outras espécies de grupos. E concluiu-se que os militares fazem parte de um dos grupos mais resistentes no tocante ao desbaratamento de “ sua unidade e lealdade para com as pequenas unidades militares às quais se acha ligado.” (op.cit.129) . Os autores dão alguns exemplos de como os inimigos chineses, na Guerra da Coréia, usavam estratégias sistemáticas para atacar os soldados norte-americanos ,capturados, para desmoralizarem suas lealdades de grupo:


Privações físicas, má alimentação, cuidados médicos limitados, e abrigo inadequado, exerceram influencia para enfraquecer a resistência dos prisioneiros norte-americanos, mas estas condições não foram consideradas suficientemente severas para darem conta de seu comportamento. A tortura e, mais frequentemente, as ameaças de tortura ocorreram ocasionalmente, mas afetaram somente uma minoria dos prisioneiros. Os principais meios de desmoralização usados pelos chineses foi algo mais poderoso que a força física – o ataque sistemático aos vínculos de grupo, descritos por Birderman(1960) e Schein(1960 , apud Horton & Hunt).Assim como ‘morrer é fácil para qualquer pessoa deixada só em um campo de concentração’, a morte chegava facilmente para os prisioneiro de guerra isolados de seus companheiros.
Os chineses usavam técnicas tais como confinamento solitário, isolamento de pequenos grupos de prisioneiros e freqüente mudança de pessoal para impedir a formação ou sobrevivência de grupos coesos. Mais importante ainda, procuraram dividir os prisioneiros no tocante às atitudes uns em relação aos outros e impedi-los de sentir quaisquer laços afetivos com a pátria [...] (grifo nosso).

Outro fator de suma importância na sobrevivência de um grupo coeso e acima de tudo a manutenção de lealdade e unidade de um grupo policial é a comunicação:

um prisioneiro de guerra precisa manter-se em comunicação com outros prisioneiros e obedecer a um oficial em todas as ocasiões. Já não era mais um individuo solitário, abandonado; era parte de um grupo em funcionamento.(...) os norte-vietnamitas frequentemente mudavam os prisioneiros, raramente os mantinham em grandes grupos e procuravam restringir a comunicação. (op.cit.p.129) (grifo nosso).


Ainda sobre a força de um grupo coeso, Horton & Hunt (1980:130,139) continuam a defender a importância de a comunicação ser vital para a permanência dos vínculos de grupo e como essa união refletem no comportamento:


Grupo é uma realidade social vital, com profundo efeito sobre o comportamento dos indivíduos em todas as situações. Se afastarmos um homem do todos os laços de grupo, em muitos casos ele em breve ficará doente e morrerá; se o integrarmos na lealdade de grupo, sua resistência e sacrifício serão quase inacreditáveis. (grifo nosso)

O mais importante em qualquer grupo é a comunicação entre seus membros. Ela não é simplesmente uma questão da linguagem falada e dos tipos de materiais impressos ou audiovisuais usados para a transmissão de mensagens, ainda que possam ser dispositivos importantes. A comunicação é também uma questão da estrutura do grupo e da proximidade física e social dos seus membros. Qualquer grupo precisa criar algum caminho para que seus membros partilhem as suas informações. A comunicação efetiva promove a satisfação do individuo com o grupo e permite-lhe expressar-se livremente e receber as impressões dos outros. Para concluirmos sobre a força do poder da comunicação de um determinado grupo social, em especial o policial, objeto de estudo desse artigo, Risner,(apud Horton & Hunt ,1980:130) cita um exemplo de um oficial mais graduado , nestes termos:

‘ Tínhamos uma camaradagem entre nós, uma lealdade, uma integridade que jamais encontramos outra vez em qualquer grupo de homens. ’

Do exposto, deduz-se, que grupo não é simplesmente qualquer reunião física de pessoas que partilham características comuns, de padrões organizados de interação recorrente – momentâneo casual. Mas que “a essência do grupo social” está na “consciência de interação conjunta” (op.cit.130). Um grupo só é considerado como tal quando há consciência de grupo e o comportamento adaptativo às normas, padrões e regras deste agrupamento.


2.1. Grupos pessoais e grupos externos


Para continuar ainda sobre a importância de um grupo, agora vamos expor as diferenças e semelhanças entre grupos pessoais e grupos externos e como e por que estes se entrecruzam.
Para defini-los, Horton & Hunt afirmam:

Existem certos grupos aos quais pertenço - minha família, minha igreja, minha turma, minha profissão, minha raça, meu sexo, minha nação, - qualquer grupo a que se juntem os pronomes ‘meu, minha, meus, minhas. ’ Estes são os mus grupos pessoais, porque sinto que pertenço a eles. Existem outros grupos aos quais não pertenço - outras famílias, turmas, ocupações, raças, nacionalidades, religiões e o outro sexo - que são os grupos externos, porque estou fora deles.

Assim, eles se entrecruzam, porque

[...] os indivíduos pertencem a tantos grupos que inúmeros de seus relacionamentos em grupos pessoais e grupos externos podem sobrepor-se. (op.cit.p.130)

O que leva a esse entrecruzamento é a possibilidade de uma mesma pessoa fazer parte de vários grupos sociais e com isso ocupar também várias posições sociais .(cf Preti,2004:180).
Poderíamos dizer que todo individuo portador de seu papel social que ocupa na sociedade é um ator que representa determinados comportamentos de acordo com o contexto social que assim o exigir. Goffman (2004:24) define papel social “como a promulgação de direitos e deveres ligados a uma determinada situação social.”

Ainda sobre papel social (Preti, 2004:181), apoiado em Horton & Hunt diz:

O conceito sociológico de papel está intimamente ligado ao de status e ambos se referem à participação do homem no grupo social. Assim, é natural entendermos que cada indivíduo tem uma posição dentro de um grupo (seja ele um grupo restrito ou primário, como a família; ou um grande ou secundário, como o Estado, por exemplo).Mas, podendo pertencer a vários grupos sociais, pode ocupar também várias posições sociais. Poderá por exemplo, ao mesmo tempo ser o pai, na família; o professor, na escola; o jogador na equipe esportiva; o pregador, na igreja etc. A essas posições sociais definidas do individuo no grupo costuma-se chamar status.

Ainda sobre papel social Teles (1993:50) diz que


compreende um conjunto de expectativas associadas em torno de uma função .Por exemplo ,o papel de pai, professor, médico, etc. Cada um desses papéis é carregado de expectativas, isto e´, a pessoa desempenha uma função na sociedade e espera-se dela determinados comportamentos. Todos nós exercemos uma série de papeis: a mulher é profissional, mãe, esposa, amiga, filha, etc., e em cada um desses papéis ela deverá apresentar determinados comportamentos esperados pelo grupo.

Em razão do sexo, da idade, da raça, da classe social, da religião o individuo é obrigado a observar a determinados comportamentos devido ao seu status (cf op. cit. p.180,181). Este não apenas subordina o individuo a posturas éticas como a

normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social” ou de “doutrinas, que orientam a ação humana para o máximo de harmonia, universalidade, excelência ou perfectibilidade, o que implica a superação de paixões e desejos irrefletidos, ( Houaiss: Dicionário eletrônico),

mas


“também a aspectos ligados à sua representação física, à sua aparência, ao vestuário. E, também, à sua linguagem, componente importante na criação de sua imagem.”(Preti,2004:181)(Grifo nosso)

Ainda sobre status social Teles (1993:50) discorre que


refere-se à posição (status) que uma determinada pessoa ocupa no sistema social. As expectativas ‘estão associadas a essa posição (status).O comportamento pertinente a essas expectativas tem o nome de ‘comportamento de papel’.(...) podemos dizer que ‘status’ é a posição ,a colocação da pessoa dentro do sistema, e o ‘papel’ é a dinâmica do status.


2.3. Grupos primários e secundários


Ainda sobre a importância de grupo, outro fator importante para o desenvolvimento da personalidade de um individuo e , consequentemente, o uso de um vocábulo peculiar são os grupos primários e secundários.
Horton & Hunt (1980:130) define grupo primário quando nele

ficamos conhecendo intimamente outras pessoas como personalidades individuais. Isso ocorre através de contatos sociais que são íntimos, pessoais e totais, porque envolvem muitas partes da experiência de vida de uma pessoa. No grupo primário, como a família, ‘ panela’ ou conjunto de amigos, os relacionamentos sociais tendem a ser informais e descontraídos. Os membros estão interessados uns pelos outros como pessoas. Confidenciam esperanças e temores, partilham de experiências, conversam agradavelmente e satisfazem à necessidade de companhia humana íntima. No grupo secundário os contatos sociais são impessoais, segmentários e utilitários .Não se tem interesse por outra pessoa como pessoa ,mas sim como funcionário que está cumprindo um papel. As qualidades pessoais no são importantes; é importante o desempenho – somente aquela parte ou segmento da personalidade total envolvida no cumprimento de um papel [...] o grupo primário pode funcionar em um ambiente agradável, mas seu propósito principal é cumprir uma função específica.


2.4. Comunidade linguística


Segundo Carvalho (1970:293) a comunidade linguística é “a sociedade dos homens em geral ou em particular”. Mas o modo de ver do autor, o que realmente contribui para a constituição de uma comunidade linguística, é a linguagem. Para ele, cada comunidade


constitui um grupo mais ou menos extenso de indivíduos ligados entre si pela convivência e pela comparticipação mais ou menos direta e atuante nas mais vaiadas atividades e nas mais diversas ordens de interesses, mediatos ou imediatos, quer materiais quer espirituais.
Assim, Carvalho ainda chama a atenção da importância de frisar que, uma pequena comunidade ou um grupo social, há determinados fatores que os constituem em comunidades como as


proximidades das idades, pela consequente forma e nível de desenvolvimento físico e psíquico e pela semelhança de interesses ,de tarefas em geral de quaisquer formas de atividades.(op.cit.p.293).

Desse modo, cada individuo participa de um número indefinido de agrupamentos sociais ou comunidades como a família, os amigos da mesma profissão, os amigos de um clube, os membros de uma associação, de uma confissão religiosa, conterrâneos e compatriotas. (cf op.cit.p.294). É importante frisar, ainda, que em todas as inúmeras comunidades de que o individuo é membro, também é


coautor de diversos grupos linguísticos constituídos pelo próprio ato da comunicação, constantemente renovado, que estabelece com os outros(e os outros entre si)e, como condição prévia, pela identidade ao menos parcial do seu saber linguístico com a de cada um desses outros.(op.cit.p.295) (Grifo nosso)



Daí a necessidade de o falante ser um poliglota na sua própria língua, ou seja, adequar o seu saber linguístico nas mais diversas situações de comunicação que assim o exigir em função do seu status e o seu papel social que exerce na sociedade.

2.5. A imagem de si no discurso

Com relação ao policial é muito comum o vermos ostentar uma imagem que passa certo glamour na forma como ele se refere à profissão, aos instrumentos de trabalhos e os de defesa pessoal como a farda ,o colete ,o capacete e a maneira de se movimentar no espaço social de trabalho, pois é neste ambiente que há uma série de costumes e hábitos fundamentais no âmbito do comportamento ligados à instituição da qual faz parte e às diligências a cumprir no seu cotidiano. E a cultura do policial, no sentido de valores, ideias ou crenças subjacentes nos discursos no uso da gíria, é uma característica fundamental que revela a sua identidade, personalidade e peculiaridade de um grupo coeso.
Os temas linguagem e imagem, mencionados anteriormente por Preti, estão ligados ao ethos e estereótipo, que após lermos alguns autores, parecem dois vocábulos de um mesmo campo semântico que ,de certa forma , demonstram algumas características como a identidade, a personalidade e o caráter de um indivíduo em um determinado grupo social num processo de interação com outros indivíduos. Essas características são perceptíveis

fonologicamente (isto é, no modo como as palavras são pronunciadas) lexicalmente (ou seja, nas próprias palavras que são usadas) e gramaticalmente (isto é, nas relações sistemáticas entre palavras). (Fishman, 1974:28).

Sobre o ethos, Lastória (2001) assim discorre:

A palavra ethos significava para os gregos antigos a morada do homem, isto é, a natureza, uma vez processada mediante a atividade humana sob a forma de cultura, faz com que a regularidade própria aos fenômenos naturais seja transposta para a dimensão dos costumes de uma determinada sociedade. Em lugar da ordenação observável no ciclo natural das coisas (as marés ou as fases da Lua, por exemplo), a cultura promove a sua própria ordenação ao estabelecer normas e regras de conduta que devem ser observadas por cada um de seus membros. (grifo nosso)

Sobre a noção do ethos que abarca várias dimensões do comportamento da sociedade, Maingueneau (2001:90-99 ) também expõe que é “por meio da enunciação” que “,revela-se a personalidade do enunciador” .E em seguida cita Barthes que a característica essencial do ethos
são os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouca importa sua sinceridade) para causar boa impressão :são os ares que assume ao se apresentar[...] O orador enuncia uma informação ,e ao mesmo tempo diz: eu sou isto ,eu não sou aquilo.

O ethos ainda

compreende não só a dimensão propriamente vocal, mas também o conjunto das determinações físicas e psíquicas ligadas pelas representações coletivas(..)são atribuídos um caráter e uma corporalidade, cujo grau de precisão varia segundo os textos. O “caráter” corresponde a uma gama de traços psicológicos. Já a “corporalidade” compreende a uma compleição corporal, mas também a uma maneira de se vestir e se movimentar no espaço social. O ethos implica, com efeito, uma disciplina do corpo apreendido por intermédio de um comportamento global. O caráter e a corporalidade do fiador provêm de um conjunto difuso de representações sociais valorizadas ou desvalorizadas, sobre as quais se apoia a enunciação que, por sua vez, pode confirmá-las ou modificá-las.
O universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos como pelas “ideias” que transmite; na realidade essas ideias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginaria em uma experiência vivida (op.cit.p.90-99) (grifo nosso).

O ethos ainda

designa a imagem de si que o locutor constrói em seu discurso para exercer uma influência sobre o seu alocutário [...] refere-se às modalidades verbais de apresentação de si na interação verbal. (Charaudeau& Maingueneau, 2008).

2.6. O estereótipo - a linguagem estereotipada
Quanto ao estereótipo, este é um fenômeno que ,assim como a gíria, não se sabe a origem e como tem início. E além disso, está em constante mudança de forma contínua.
Segundo Diniz, (apud Rabaça & Barbosa: 1987),

a palavra estereótipo, originalmente, pertence ao vocabulário da editoração gráfica. Trata-se de uma chapa de chumbo fundido que traz em relevo a reprodução de uma página de composição e permite a tiragem de vários exemplares. A prancha estereotipada representa a fôrma que imprime fielmente o padrão da matriz. Por extensão, o estereótipo é uma opinião pronta, uma ideia ou expressão muito utilizada, desgastada, banalizada, um lugar-comum ou clichê.

Limppman (apud Preti (1984:55) diz que os estereótipos

dizem-nos tudo sobre o mundo antes que o vejamos. Imaginamos as coisas antes de experimentá-las. E a menos que a educação nos tenha tornado agudamente conscientes, essas percepções governam profundamente todo o processo da percepção.
E Preti (op.cit.p.155) complementa que os estereótipos são transmitidos

de geração para geração, de sorte que, muitas vezes, ficamos impossibilitados de reagir contra eles e acabamos por repeti-los, sem o necessário julgamento critico individual.

Ainda na linha do estereótipo Horton & Hunt (1980:130) dizem que ele



é uma imagem que um grupo partilha de um outro grupo ou categoria de pessoas. Os estereótipos podem ser positivos (o amigo da família, bondoso e dedicado), negativos (o político oportunista, sem princípios), ou mitos (a velha mestra, dedicada, ruidosa e assexuada). Os estereótipos são aplicados indiscriminadamente a todos os membros do grupo estereotipado, sem que haja lugar para as diferenças individuais. Os estereótipos nunca são totalmente inverídicos, porque precisam ter certa semelhança com as características da pessoa estereotipada ou não seriam reconhecidas. Mas eles sempre são distorcidos, porque exageram e universalizam algumas das características de alguns membros do grupo estereotipado.


Assim, conclui-se que “o estereótipo atua como modelo cultural que especifica e determina o comportamento de homens e mulheres” (Dias, 1996:140).

Pensando nesse contexto social, talvez, pelo fato de a profissão policial está envolvida direta ou indiretamente com o mundo de toda espécie inimaginável de crime, a polícia se sinta na obrigação de preparar seus subordinados usando todos os artifícios necessários para combater o crime com eficácia. E inconscientemente o profissional vai incorporando um modelo cultural que passa de geração para geração. E o estereótipo policial parece justificável utilizar uma gíria peculiar que conota, implicitamente, a truculência. Sobre isso Horton & Hunt (1980:134) comenta

que é muito provável, por exemplo, que o estereótipo ‘brutal’ do policial sirva para aumentar a brutalidade da polícia e não para suscitar uma sensibilidade compreensiva entre seus membros.
2.7. O meio como fator extralinguístico da criação da gíria policial
Aqui, tentaremos com ajuda de alguns teóricos, justificar, este corpus para análise, como sendo uma gíria, em parte, de exclusividade policial. E verificar a relação discursiva da gíria policial com o poder. E ainda, demonstrar as diversas ligações entre a linguagem e a sociedade. E como os vários grupos e profissões são representados por meio de uma linguagem especial.
O policial, em todas as suas categorias (federal, rodoviário, ferroviário, militar, exército, marinha, civil, etc.), está entre as chamadas profissões de risco. Ele é o representante legal e a imagem do Estado com poderes para fazer cumprir as leis e limitar, coercitivamente ,o dever geral do individuo, objetivando o bem coletivo e assegurar a estabilidade social por meio das investigações e identificação dos indícios materiais do crime e do delinquente, levando-o à prisão. O policial é o que mantém a disciplina, a segurança pública, defende, previne, assegura, auxilia ,adverte o cidadão de bem e reprime e castiga os que se inclinam para a prática da delinquência.(cf Vieira,1965:2-15).
No âmbito da importância do policial na comunidade como representante legal do Estado para exercer a vigilância e manter a ordem pública, Silva (apud Souza, & Minayo &Assis, 2003:51) discorre sobre a segurança pública como
a garantia que o Estado oferece aos cidadãos ,por meio das organizações próprias contra todo o mal e todo o perigo que possa afetar a ordem pública, em prejuízo da vida, da liberdade ou dos direitos de propriedade dos cidadãos [...]limita as liberdades individuais, estabelecendo que a liberdade de cada cidadão ,mesmo em fazer aquilo que a lei não lhe veda ,não pode ir além da liberdade assegurada aos demais[...]garanti-la é dever do Estado e tê-la assegurada é direito dos cidadãos, pois ela se exerce para a incolumidade das pessoas e do patrimônio.
E que

os órgãos historicamente constituídos: a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária, a Polícia Ferroviária, a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros formam os representantes legais do Estado, e em especial a polícia, inserida nesse campo, designa o conjunto de instituições fundadas pelo Estado, para que, segundo prescrições legais e regulamentares estabelecidas, exerçam vigilância e mantenham a ordem pública, a moralidade, a saúde pública e assegure o bem-estar coletivo (grifo nosso).

Estas ações de vigilância, ordem pública, repressão, coerção e punição do Estado, por meio do policial, são passadas de geração para geração, uma imagem estereotipada do policial como um ser truculento, violento e que os deixam, às vezes, a sensação de insegurança e intranquilidade face à violência. Por outro lado, parece que o poder delegado, legalmente, ao policial, para agir em nome do Estado, faça com que ele tenha uma alta autoestima, no sentido de sentir-se orgulhoso de ser policial Talvez essa sensação de poder, contribua para “o estereótipo ‘brutal’ do policial” e “ sirva para aumentar a brutalidade da policia” (Horton & Hunt,1980:134) e contribua ainda mais para se autoafirmar em sua profissão.
Ainda relacionado ao meio como fator relevante na criação de um vocábulo especial, baseado em alguns teóricos de várias áreas como a sociolinguística linguística, a etnolinguística, e a sociologia, Preti (2003:11-40), tece alguns comentários da atuação do meio como fator extralinguístico que influenciam na maneira de falar e “na criação de um tipo especial de expressão”. E com base em Bally,

o meio compreenderia os estados, isto é, as condições de vida preexistentes no individuo, ou seja, a classe social a que pertence, sua cultura ,a educação que recebeu, ,as tradições a que se liga, as ideias religiosas, os princípios morais; e as formas habituais de atividade e pensamento, isto e´, os ofícios e profissões, e outras formas de atividade, como, por exemplo, os jogos, os esportes ,as ocupações cientificas, literárias e artísticas e, até mesmo a ociosidade que ,frequentemente, propiciam a aproximação de indivíduos. (o grifo nosso)
Tais fatores socioculturais influenciadores da fala, englobariam várias distinções como geográficas ( ou diatópicas – variações “num plano horizontal da língua”, responsáveis pelo fenômeno dos dialetos e falares locais; históricas, econômicas, políticas, sociológicas e estéticas. Todas estas distinções seriam suscetíveis de

representar o real por um signo e de compreender o signo como representante do real [ ...] comunicação social, através de um condicionamento de estímulos e reações [...]dialeto social [ ...] habitual subvariedade da fala de uma dada comunidade ,restrita por opressões de forças sociais a representantes de um grupo étnico ,religiosos, econômico ou educacional[...] é através dela [a língua ]que a realidade se transforma em signo.(op cit.p.12,) (p.13– notas de roda pé) ( grifos nosso)

As variedades socioculturais (ou diastráticas) englobam vários fatores como a idade, o sexo, raça ou cultura, posição social, grau de escolaridade, local em que reside na comunidade e da profissão. Esta
atuaria decididamente no campo da linguagem técnica ou profissional, em que os falantes utilizam um vocabulário (e às vezes, também estruturas morfossintáticas) condizente com sua atividade. Seriam exemplos o vocabulário dos vendedores ambulantes, dos médicos, advogados, dos militares, quando no exercício de sua profissão.(op cit.p 28) (grifos nosso).
Ainda no âmbito do meio social como fator extralinguístico de influência na língua, Burke (cf.1996:7-27), registra uma longa lista de profissões como os soldados, carrascos alemães, o jargão dos regimes comunistas, mendigos e ladrões, pedreiros, ciganos, limpadores de chaminés, marinheiros, atores, linguagem das costureiras,
gírias que possibilitavam às garotas conversarem livremente a respeito de suas experiências sexuais sem que seu empregador percebesse(op.cit.p.20).
Essa lista, permite-nos inferir de que cada classe profissional é representada pelo seu vocabulário peculiar; ou ‘ jargões profissionais’, ou “palavras especiais”, ou “excêntricas”, ou “expressões idiomáticas” de todos os tipos “como ‘parasíticos’ ou ‘como línguas parciais’ que são utilizadas como “ um suplemento ao vernáculo”. E completa, com base em Goffman, que as pessoas confinadas em
organizações que exercem um controle incomumente escrito sobre seus reclusos (prisões, mosteiros, asilos, internatos, casernas, navios e assim por diante,) apresentam igual probabilidade de criarem linguagens semi - particulares.[E],muitos grupos de pessoas definem sua identidade por meio do uso do jargão. (op. cit. p. 16, 17,22).
Diante do exposto, o meio como fator relevante na criação de um vocábulo especial, o policial, em todas as suas categorias, não foge à regra desse contexto social, do tipo de atividade que exerce, como o meio que contribui para a criação de um vocabulário peculiar.
A gíria militar, [ou policial civil] tal como outras, sempre assumiu uma forma de vigência coerente com a própria vida social. (Nobre: 1986: 9).
Assim, concluímos que o corpus que analisaremos ao longo desse artigo, há características próprias de um linguajar restrito aos policiais civis da corporação da cidade de São Paulo.
3. Análise do Corpus capturado no Orkut
Para exemplificar o estereótipo no campo da linguagem no meio como fator extralinguístico da criação do glamour policial, conforme esclarecido anteriormente, podemos verificar nos contatos feitos no site de relacionamento do Orkut, de algumas regiões do Brasil, em alguns perfis e álbuns, e em bate-papo no MSN, algumas frases verbais e nominais que conotam o estereótipo glamoroso, da truculência e do deboche:

Se quiser encarar, pode vir só dizer quando e aonde !!
Corra que a policia vem ai. (1)

Ficando fortinho, a bandidagem que se cuide rsrsrsrs.(2)

Olha minha cara.(3)

O maior guerreiro do mundo tinha que estar vestindo o preto.
Ver os olhos do inimigo é importante, porém, devemos estar preparados para fazê-los fecharem-se.(4)

Olha só que desperdícios, só morreram 3, que peninha né!
Bandido bom, só quando ele estiver assim, rsrsrsr(morto, foto)
Essa galera aqui é foda sai da frente
Aí bandidagem ,aqui o sistema é bruto, sai que nós somos foda.
Bandido é bom assim ( morto) kkkkkkkkkk
Nós somos os caras,rsrsrsr
Vai encarar?????.(5)

Pronto pra pega vagabundos.
Polícia civil - respeite essa policia.
Eu estou pronto pra combater vagabundos.
Soldado guerreiro
Esse grupo protege todos contra o mal.
Verdadeiros policiais
Os guerreiros do Rio Janeiro.
Eu amo a policia QRA roque.(6)

Esse é mais um que se foi para o inferno.(7)

Grupo Tático...tremam, malas.(8)

A melhor.(9)

Equipe arregaço.(10)

Ser policial é apaixonante, mas é uma profissão de risco...É presenciar tragédias, sem poder se comover; é estar diante de emoções, sem poder chorar; é estar acordado enquanto todos dormem; é amar sem ser amado; é compreender sem ser compreendido; é ser punido no reino da impunidade...
12 mais um .380 estoura a sua cara. Se embaçar dou-lhe um , dou-lhe dois quanto for...(11)

Civil DHPP. Civil até a morte
Chupa uma destas balas porque são elas que vão te furar..
Que Deus me dê paciência para lidar com os meus inimigos, porque se me der força, eu os mato...
Vem bater de frente para ver.
Vamos à caça.( 12)

Estilo de vida.
19 e 09 - Força e honra. Caveira!!!!!!!(19 e 09 refere-se a um número de identificação na gandola de cada um dos policiais que estavam em dois).(13)

Cabe ao Senhor Deus Todo Poderoso, criador do universo, perdoar os delinquentes pelos seus pecados. Cabe aos Grupos de Operações Especiais das Polícias providenciar este encontro. Caveira!!!!.(14)

Todo Comando tem no peito uma Caveira, que ele carrega em cima do coração
E o seu rosto ninguém vê, porque é assim que tem que ser.(15)

Linda essa imagem com a polícia dominando os morros e derrubando os vagabundos. Pau no cu!!! Cuido dela todo dia como se fosse uma parte do meu corpo, pois, abaixo de Deus ela é minha segurança!!!!!(referencia à arma).
Minha paciência tem limite.
Cuidado, curioso!!!
Eu amo essa arma!!!
Me orgulho muito de pertencer a esta unidade da PMEBA.!!!!!
1ºSGT PMBA!!! Serei polícia até morrer!!!(16)

Eu nasci pra ser Polícia.(comunidade).
Aos que já são e aos que pretendem ser!! Esta é a comunidade destinada aos verdadeiros Policias de Coração!!! Apesar das dificuldades que passamos, não somos omissos... a paixão pela profissão fala mais alto na hora do QRU e arriscamos nossas vidas em prol da sociedade.
Essa profissão não é pra qualquer um, é somente para os FORTES e PREDESTINADOS!!
O título já diz tudo... Os fora da lei que se cuidem!!Que chorem a mãe do bandido.(17)

Deus dá a luz, o B.O.P.E. apaga (comunidade)
Essa comunidade é para todos vocês que concordam plenamente com essa perfeita frase: Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha. (VICTOR HUGO)(18)

Os covardes nunca tentaram, os fracos ficaram no caminho.
Só os fortes conseguiram!(19)

357 magnum... precisa dizer mais? melhor sair da frente!!! (referência a uma arma em punho)
Este é o lema.
Calibre .40 a conhecida quadrada
Eu, RONE, de Londrina, muito orgulho.(20)

[Ser policial] não é pra qualquer um, muitos criticam, mas poucos têm capacidade para chegar aqui.(21)

Vai bater de frente? Vai se quebrar comigo na porrada e no tiro.
Cabe ao Grande Criador do universo perdoar os marginais por seus crimes; cabe ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) promover este encontro.(22)

Todo sonho de um caveira é morrer no campo de batalha, é uma honra pra gente.(23)

Gosto de história. Este nosso uniforme histórico, lembra-nos do passado bem distante. Lutaram pelos nossos dias atuais, com bravura e destemor, hoje o que temos é graças à aqueles que um dia abraçaram a causa com abnegação e sacrifício da própria vida..
Olha aí, sai da frente que eu vou passar!!!
Brasão da família Nascimento. Tá vendo aí? Somos da realeza também, hehehehe.
O melhor no mundo é sorrir sempre.
Controle de distúrbios. Esta é a nossa especialidade! Cuidado que o bicho vai pegar!
Lembre-se, combatemos por você, e sempre com Deus no coração, nunca esqueça disso, somos defensores da sociedade, por você e nossa família .Ten Nascimento.
Sai da frente que o Choque vai passar. Choque, Choque, Choque!!!
Nós somos os melhores!(24)


Esses são dois itens que podem mudar o destino de um vagabundo: a Bíblia Sagrada e Deus no coração. Mas caso Deus não seja o suficiente, há homens como nós, preparados e armados até os dentes para fazer vagabundos ir para um lugar não muito agradável a nós, mas considerado a porta da casa para eles! Ladrão hoje no Brasil não tem escolha. Quer trocar tiro com a polícia ,vai para a cadeia ou vai para o inferno! QR da fuga da polícia ,também pode escolher a única diferença do inferno é que o demônio é mais bonito do que o policial fardado, mas seja ROTA, FORÇA TÁTICA, GOE, GARRA, DEIC, COE, CORE, BOPE, GRR ou MIKE, temos a alma e a áurea do demônio dentro dos nossos corações quando saímos de casa para trampar!!!(25)

Eu tenho o prazer de dizer que sou um infante..morro mais não me rendo.
Os boinas verdes não morrem, se reagrupam no além para atormentar o inimigo. Aqui reina o espírito imortal da infantaria...
Os guerreiros de infantaria morrem, mas não se rendem.
Eu na vida civil.
Existem momentos que não precisamos apenas de cumprir uma missão, mais sim, de salvar vidas, porque um bom combatente não recua diante de um sacrifício em prol do dever
Nós somos estes discípulos infantes, cujos peitos amantes, nunca temem lutar; vivemos, morremos, para Cristo consagrar!
Se você sente dor, é porque ainda está vivo... Por uma vida, qualquer sacrifício é um dever.
Se o inimigo ao acaso nos instigar, pela honra de nossos antepassados, e pela grandeza da nossa Nação Brasileira. A infantaria vai lutar até o fim e se necessário for, a infantaria morre, mas não se rende.
Somos jovens homens do amanhã e Guararapes louvamos com amor e fé e por este solo havemos de lutar e se preciso for, morrer de pé. O dever a honra à pátria moram conosco aqui em casa forte. Um novo mundo vamos conquistar sem ter medo de enfrentar a própria morte. (26)

Ver os olhos do inimigo é importante para fazê-los fecharem-se.
Isso é a favela mano.
Quando a arma que mata, defende a liberdade e o direito de viver... Os anjos choram, mas não acusam. FORÇA E HONRA! e FORÇA NACIONAL PORRA!!!!!(27)

Ser policial é algo sério, não podemos ter medo de bandido e sim sermos sempre um profissional e desempenhar nossa função com profissionalismo!!.(28)

Vai bater de frente? Vai se quebrar comigo na porrada e no tiro.
Cabe ao Grande Criador do universo perdoar os marginais por seus crimes; cabe ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) promover este encontro .
Todo sonho de um caveira é morrer no campo de batalha. É uma honra pra gente.(29)

Esse mala já era, foi pro outro lado abraçar o capeta...(foto de um cadáver)
Ladrões quando verem esse rosto com a toca....pode esperar que sua hora chegou....porque vim buscar sua alma...
Atenção seus ladrões....essa é a minha ferramenta de trabalho... é com essa ferramenta que vou mandar vocês para o inferno...
Sou o seu pesadelo....estarei sempre combatendo a criminalidade .....vou buscar você seu mala...para te mandar para o inferno....lá é lugar de onde vocês não deveriam ter vindo...
Vingarei as mortes dos meus irmãozinhos de farda....(30)
Conforme vimos, o meio em que o policial vive, e o poder a ele delegado, torna-se suscetível a probabilidade do uso de um vocabulário peculiar que demonstra, nas entrelinhas, o glamour, o poder, a alta autoestima pela profissão. Por outro lado, também poderá demonstrar a revolta, a truculência, a irreverência e o deboche, por meio da gíria, ou frase verbais e nominais, como visto anteriormente, quando vem a crítica por parte da sociedade e da mídia em geral.

3.1. Análise do Corpus quanto ao significante – pesquisa de campo de A Gíria da Policia Civil da Cidade de São Paulo

Uma das maneiras de percebemos a identidade social de qualquer individuo é por meio da linguagem, pois cada um tem suas características próprias inerentes ao meio social ao qual pertence. Seu estilo pessoal ,seu idioleto, faz o interlocutor atento inferir que este ou aquele falante faz parte de um determinado grupo social. Sobre isso, Brandão (1991:6) afirma:

A entonação, a pronúncia, a escolha vocabular, a preferência por determinadas construções frasais, os mecanismos morfológicos que são lhe são peculiares podem servir de índices que identifiquem: o país ou região de que se origina; o grupo social de faz parte (seu grau de instrução, sua faixa etária, seu nível socioeconômico, sua atividade profissional);a situação (formal ou informal) em que se encontra.



3.2. Por combinação


A gíria, em um determinado grupo profissional, também se dar pelo processo de formação de palavras: a composição, derivação, formação regressiva, abreviação, reduplicação, conversão e combinação .Não cabe aqui comentar todos esses processos. Para este artigo interessa-nos a combinação a abreviação, a supressão de fonemas (iniciais) e supressão de fonemas (finais),
pois existem muitos motivos de se criarem novas palavras.
Sobre isso Bechara (1999:351) afirma:


As múltiplas atividades dos falantes no comércio da vida em sociedade favorecem a criação de palavras para atender às necessidades culturais, cientificas e da comunicação de um modo geral. As palavras que vêm ao encontro dessas necessidades renovadoras chamam-se neologismos [...] os neologismos ou criações novas penetram na língua por diversos caminhos. O primeiro deles é mediante a utilização da prata da casa, isto é, dos elementos (palavras, prefixos, sufixos,) já existentes no idioma, quer no significado usual, quer por mudança do significado, o que já é um modo de revitalizar a o léxico do idioma.

Sobre a combinação, processo que vamos analisar neste artigo, o autor (op.cit.1999:372) afirma que


[...]é um caso especial (...) em que a nova unidade resulta da combinação de parte de cada um dos dois termos que entram, na formação: português + espanhol = portuhnol, Bahia + Vitória = Bavi, São Comuns na linguagem jocosa: sofrer + professor = sofressor; aborrecer + adolescente = aborrecente.(...) por composição entende-se a junção de dois elementos identificáveis pelo falante numa unidade nova de significado único e constante (...).


Na pesquisa sobre a Gíria da Polícia Civil da Cidade de São Paulo encontramos os seguintes exemplos de combinação:

Escrivãonatário= escrivão estelionatário
Escripol: Escrivão policial
Investipol: Investigador policial
Investigarista: Investigador vigarista
Auxipol=Auxiliar de polícia
Delpol=Delegado de policia
Agepol=Agente policial
Optel = Agente de telecomunicação policial (feminino)
Optelzinho= Agente de telecomunicação policial (feminino)
Auxipapipol=Auxiliar papiloscopista policial
Papipol= Papiloscopista policial
Agentel= Agente de telecomunicação policial
Fotopol= Fotógrafo policial
Auxipol= Auxiliar de papiloscopista


3.3. Por abreviação


Na nossa pesquisa, encontramos também muitas abreviações. Estas já se tornaram comuns, pois qualquer cidadão de São Paulo ao vê-las, sabe-se do que se trata. Sobre isso Bechara (op cit p.371) também dá sua contribuição e diz que ela

consiste no emprego de uma parte da palavra pelo todo. É comum não só no falar coloquial, mas ainda na linguagem cuidada, por brevidade de expressão: extra por extraordinário [...]

Isso é uma das características das gírias como necessidade de rapidez na elocução e também manter o caráter criptológico. Ainda sobre este assunto, Castro (1947:34) afirma:


As abreviaturas nas gírias são determinadas pela necessidade de uma locução rápida a que não deve ser também estanha a lei do menor esforço. Por isso mesmo é nas gírias, que mais necessidade têm de se manter secretas, que vamos encontrar mais espalhado o uso de tal meio. [...] são dois os processo de abreviar as palavras: ou se faz desaparecer uma ou mais sílabas das palavras, ou se abreviam estas pelas suas inicias.

Santos (apud Correia (1961:18) também dar sua contribuição sobre a abreviação das palavras “a simplificação da nossa ortografia revela ‘ um saber minucioso ,exaustivo nas suas informações.’”(grifo nosso)
O nosso grupo investigado, A Polícia Civil da Cidade de São Paulo, entre inúmeras abreviações, escolhemos as seguintes:

GOE=Grupo de Operações Especiais.

GARRA= Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos.

DEIC= Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado.

DENARC= Departamento Estadual de Investigações Sobre Narcóticos.

DHPP= Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa.

PC=Policial civil.

MC= Má vontade; preguiçoso.

DEL=Delegado.

PE=Polícia do Exército.

EB=Exército Brasileiro.

PF=Polícia Federal.

PA= Policial da Aeronáutica.

ASP= Agente de segurança penitenciário.

GP=– Guarda de muralha.

ASPONE: Agente de segurança penitenciário; assistente de porra nenhuma.


3.4. Por supressão de fonemas (iniciais)


Segundo Pinto (1975:105), “uma das formas de encurtamento do vocábulo consiste em0 suprimir fonemas iniciais”. Já Segundo Cabelo (1991:20) ela dá outro nome para a supressão de fonemas iniciais, a aférese. No corpus encontramos:
drão =ladrão
Cagueta = alcagueta

3.5. Por supressão de fonemas (finais)
Segundo Pinto, (op. cit. 105), a supressão de fonemas consiste na redução de fonemas finais. No corpus de análise encontramos os seguintes:
Advoga =Advogado
Delega= Delegado
Del=Delegado
Papi= Papiloscopista

Considerações finais


De acordo com o conteúdo teórico a respeito do caráter criptológico da gíria, a função e característica da gíria, os usos da gíria de acordo com os grupos sociais, a gíria como estereotipo e parasita da língua institucionalizada, o meio social como fator extralinguístico da criação gíria, o ethos como inferência do comportamento e personalidade do usurário da gíria, a análise do corpus capturado no site de relacionamento, o Orkut. E de “A gíria da Policia Civil da Cidade de São Paulo”, foi verdadeira, no sentido de a teoria glamour da profissão policial com as frases verbais, nominais e expressões que mostram o orgulho do policial exercer essa profissão.
Também foi verdadeira análise do corpus referente à combinação, supressão no final ou inicial de vocábulos, as abreviações. E como essa teoria se encaixou perfeitamente no corpus analisado.
Para satisfazer as regras de um artigo, achamos que os exemplos apresentados foram suficientes para comprovar a teoria na prática.




Referências bibliográficas


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