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sábado, 1 de maio de 2010

Coerência e Coesão

Prof.Eliorefe Cruz Lima (Org.)

I. Coerência: deve ser entendida como unidade do texto. Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que se não se solidarize com as demais.

Níveis de coerência

Há três níveis em que a coerência deve ser observada:

1. Coerência narrativa

A estrutura narrativa tem quatro fases distintas:
- manipulação, fase em que alguém é induzido a querer ou dever realizar uma ação;
- competência, em que esse alguém adquire um poder ou um saber para realizar aquilo que ele quer ou deve;
- performance, a fase em que de fato se realiza a ação;
- sanção, fase em que se recebe a recompensa ou o castigo por aquilo que realizou.
Essas quatro fases, conforme os autores, se pressupõem, ou seja, a posterior depende da anterior. Ele exemplifica, afirmando que um sujeito só pode fazer algo (performance) se souber ou puder fazê-la (competência). É incoerência narrativa relatar uma ação realizada por alguém que não tinha competência para realizá-la.

Exemplo sugerido:

É incoerente narra uma história em que alguém está descendo uma ladeira num carro sem freio, que para imediatamente, depois de ser brecado, quando uma criança lhe corta a frente.

2. Coerência figurativa

Por coerência figurativa endente-se a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que mantêm entre si. As várias figuras que ocorrem num texto devem articular-se de maneira coerente para constituir um único bloco temático. A ruptura dessa coerência pode produzir efeitos desconcertantes. Todas as figuras que pertencem ao mesmo tema devem pertencer ao mesmo universo de significado.

Exemplos sugeridos:

a) Suponhamos que se deseje figurativizar o tema “despreocupação.” Podem-se usar figuras como “pessoas deitadas à beira de uma piscina”, “drinques gelados”, “passeios pelos shoppings”. Não caberia, no entanto, na figurativização desse tema, a utilização de figuras como “pessoas indo apressadas para o trabalho”, “fábricas funcionando a pleno vapor”.

b) Suponhamos (...) que se pretenda figurativizar o tema do requinte e da sofisticação para caracterizar um certo personagem. Para ser coerente, é necessário que todas as figuras encaminhem para o tema do requinte. Pode-se citar, ao descrever sua casa: a lareira, o tapete persa, os cristais da Boêmia, a porcelana de Sévres, o doberman ressonando no tapete, um quadro de Portinari e outras figuras do mesmo campo de significado. Constituiria incoerência figurativa gritante incluir nesse conjunto de elementos Agnaldo Timóteo cantando na vitrola um bolero sentimentaloide. Essa ruptura se justificaria se a intenção fosse o humor, a piada, a ridicularização, ou mostrar o paradoxo de que o requinte é apenas exterior.

c) Suponhamos que se queira mostrar a vida no Polo Norte. Podem-se para isso usar figuras como “neve”, pessoas vestidas com roupas de pele”, “renas” “treinós, Não podem porém, utilizar figuras como “palmeiras”, cactos”, “camelos”, estradas poeirentas”.

3. Coerência argumentativa

Quando se defende o ponto de vista de que o homem deve buscar o amor e a amizade, não se pode dizer em seguida que não se deve confiar em ninguém e que por isso é melhor viver só.
(...)
Se o texto parte da premissa de que todos são iguais perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem obrigadas a pagar imposto de renda.

O argumentador pode até defender essas regalias, mas não pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei.

Assim também é incoerente defender ponto de vista contrário a qualquer tipo de violência e ser favorável à pena de morte, a não ser que não considere a ação de matar uma ação violenta.

Exercícios

Leia os textos a seguir e aponte em cada um:
1. O nível de incoerência. (Se é narrativa, figurativa ou argumentativa)
2. Aponte qual é a incoerência.
3. Reescreva o texto, deixando-o coerente.

Texto 1:
“Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um motorista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro capotou de rodas para o ar. O menino não pensou duas vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até a calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida”.

Texto 2:
“Sem entusiasmo, Júlio foi assistir à partida do Grêmio, pois já esperava ver um mau jogo. Decepcionado, com o péssimo futebol apresentado, seguiu para casa”

Texto 3:
“Lá dentro havia uma fumaça formada pela maconha e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois ela era muito densa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas, etc.”

Texto 4:
“O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso: raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de Shakespeare”.

Texto 5:
Os números da educação do Censo 2000 são animadores. Os dados mostram que mais da metade (59,9%) da população brasileira com mais de dez anos não conseguiu concluir o ensino fundamental (antigo primeiro grau), pois tem menos de oito anos completos de estudo. (http://www.klickeducacao.com.br)

Texto 6:
“O verdadeiro amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. Para distraí-lo, conta-lhe sobre seu prestígio profissional, conquistas amorosas e capacidade de sair-se bem das situações. Isso, com certeza, vai melhorar o estado de espírito do infeliz.” < http://www.portrasdasletras.com.br >

Texto 7:
O sonho de João era conhecer o Polo Norte. Um dia ele teve o privilégio de conhecê-lo. Ficou assustado como as pessoas lá se comportam devido ao clima: as casas não têm cobertura nem portas, além disso, elas dormem no chão porque lá ninguém agüenta o calor. E o pior, ninguém consegue andar sem tapar as narinas com um pano ou uma máscara, pois as estradas são muito poeirentas.

II. Coesão

Coesão textual

Quando lemos com atenção um texto bem construído, não nos perdemos por entre os enunciados que o constituem, nem perdemos a noção de conjunto. Com efeito, é possível perceber a conexão existente entre os vários segmentos de um texto e compreender que todos estão interligados entre si.

Veja um exemplo:

É sabido que o sistema do Império Romano dependia da escravidão, sobretudo para a produção agrícola . É sabido ainda que a população escrava era recrutada principalmente entre os prisioneiros de guerra.
Em vista disso, a pacificação das fronteiras fez consideravelmente a população escrava.
Como o sistema não podia prescindir da mão-de-obra escrava , foi necessário encontrar outra forma de manter inalterada essa população.

(...) os enunciados desse texto não estão amontoados caoticamente, mas estritamente interligados entre si: ao ler ,percebe-se que há conexão entre cada uma das partes.
A essa conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto dá-se o nome de coesão. Diz-se, pois, que um texto tem coesão quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si, quando há concatenação entre eles.
A coesão de um texto, isto é, a conexão entre os vários enunciados obviamente não é fruto do acaso, mas das relações de sentido que existem entre eles. Essas relações de sentido são manifestadas, sobretudo, por certa categoria de palavras, as quais são chamadas de conectivos ou elementos de coesão. Sua função no texto é, exatamente, a de pôr em evidencia as várias relações de sentido que existem entre os enunciados.
No caso do texto citado (...) pode-se observar a função de alguns desses elementos de coesão. A palavra “ainda” (...) no primeiro parágrafo serve para dar continuidade ao que foi dito anteriormente e acrescentar ou outro dado: “que o recrutamento de escravos era feito junto dos prisioneiros de guerra.”
O segundo parágrafo inicia-se com a expressão “em vista disso,” que estabelece uma relação de implicação causal entre o dado anterior e o que vem a seguir: “a pacificação das fronteiras diminui o fornecimento de escravos porque estes eram recrutados principalmente entre os prisioneiros de guerra.”
O terceiro parágrafo inicia-se pelo conectivo “como”, que manifesta outra relação causal, isto é: “foi necessário encontrar outra forma de fornecimento de escravos porque o sistema não podia prescindir deles.”
São várias as palavras que, num texto, assumem a função de conectivo ou elementos de coesão:
- as preposições: a, de ,para, com, por, etc;
- as conjunções : que, para que, quando, embora, mas e, ou, etc;
- os advérbios : aqui, aí, lá, assim, etc.

O uso adequado desses elementos de coesão confere a unidade ao texto e contribui consideravelmente para a expressão clara das ideias. O uso inadequado sempre tem efeitos perturbadores, tornando certas passagens incompreensíveis.

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Resumo:
Coesão: é a conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto. Essa coesão é feita pelos conectivos ou elementos de coesão: preposições, conjunções e advérbios.
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A coesão textual - Mecanismos de Coesão

(...) os mecanismos coesivos podem realizar-se em contextos verbais mais amplos, por exemplo: por jogos de elipses, por força semântica, por recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.

Exemplos: Sem elipse:

O empresariado continua reclamando a diminuição de impostos, retração do Estado e liberdade de mercado. O empresariado , faz lobby para impedir que as tarifas de importação caiam e o empresariado busca a reintrodução de subsídios.
Coesão por elipse: O mesmo texto fica assim:

O empresariado continua reclamando a diminuição de impostos, retração do Estado e liberdade de mercado. Ao mesmo tempo , faz lobby para impedir que as tarifas de importação caiam e busca a reintrodução de subsídios.

O mesmo texto com os termos substituídos entre parênteses:
O empresariado continua reclamando a diminuição de impostos, retração do Estado e liberdade de mercado. Ao mesmo tempo (O empresariado) , faz lobby para impedir que as tarifas de importação caiam e (O empresariado) busca a reintrodução de subsídios.

Comentário:
Ao passar-se da primeira sentença “O empresariado (...) liberdade de mercado” para a segunda, omitiu-se a palavra empresariado:

“Ao mesmo tempo, (o empresariado) faz lobby para impedir que as tarifas de importação caiam e (o empresariado) busca a reintrodução de subsídios”.

Neste caso estamos diante de um procedimento que pode ser chamado de coesão por elipse,pois o termo posto no enunciado A (empresariado) possui tal força semântica que sua presença, por estar subentendida, foi dispensada em B.

Coesão por referência (ou referência dêitica)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
(Manuel Bandeira)

Lá funciona como advérbio que retoma a referência Pasárgada e permite dar continuidade ao enunciado sem qualquer comprometimento do sentido.
Importante:

A coesão por referência pode ser obtida pelo uso de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos, advérbios de lugar,artigos definidos.

Outros exemplos de coesão por referência:

‘Diminuíra a agitação da praça. Cortavam-na os últimos retardatários.’(Euclides da Cunha)

‘A minha filha Silvia gosta de música. Ela quer aprender a tocar piano.’

‘Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil são grandes músicos. Suas carreiras iniciaram-se praticamente ao mesmo tempo.’

Importante:

O recurso à coesão por referencia é também uma forma de evitar repetições desnecessárias, imprimindo ao enunciado maior elegância expressiva.

Coesão pelo léxico e / ou Coesão por substituição

Pelo léxico:

‘Ruy Barbosa estava no ocaso de sua vida pública e na véspera de sua morte, que se daria em 1923. Era naquele momento o grande cabeça nacional, o gênio da oratória.’ (Otto Lara Resende)

Ruy Barbosa = grande cabeça nacional;
Ruy Barbosa = o gênio da oratória.

“(...) estamos diante de substituições, quase sempre metonímicas, que não comprometem o sentido por vincularem nomes e situações a sinônimos conhecidos.”

Outros exemplos:

‘Pelé foi o maior jogador do mundo. O rei do futebol levou o Santos a grandes conquistas.’

‘São Paulo é uma grande cidade. A capital dos paulistas possui quase quinze milhões de habitantes.’

‘Airton Senna devolveu com palavrões todas as injustiças que sofreu. O vencedor profissional da F1 é agora um homem aliviado.’

Por substituição:

Em lugar de escrever assim:
‘Todos foram socorrer os acidentados. Graças ao fato de que todos foram socorrer os acidentados ninguém morreu.’

Fica melhor assim:
‘Todos foram socorrer os acidentados. Graças a isso ninguém morreu.

Em lugar de escrever assim:
Convivem nas sociedades modernas as grandes fortunas e os milhões de famintos. A gravidade da situação de existência das grandes fortunas e dos milhões de famintos exige mudanças.’

Fica melhor assim:
Convivem nas sociedades modernas as grandes fortunas e os milhões de famintos. A gravidade da situação exige que isso mude.’

Síntese de alguns elementos coesivos

1.Indicadores de oposição, contraste, adversão -Preposições, conjunções e locuções:
mas, porém, todavia,contudo,entretanto,no entanto,embora, contra, apesar de, não obstante,ao contrário , etc.

2.Indicadores de causa e consequência- Preposições, conjunções e locuções:
porque, visto que, em virtude de, uma vez que, devido a, por motivo de, graças a, sem razão de, em decorrência de, por causa de, etc.

3.Indicadores de finalidade-Preposições, conjunções e locuções:
afim de, a fim de que, com o intuito de, para, para a, para que, com o objetivo de, etc.

4.Indicadores de esclarecimento-Preposições, conjunções e locuções:

vale dizer, ou seja, quer dizer, isto é, etc.

5.Indicadores de proporção -Preposições, conjunções e locuções:
à medida que, à proporção que, ao passo que, tanto quanto, tanto mais, a menos que, etc.

6.Indicadores de tempo - Preposições, conjunções e locuções:
em pouco tempo, em muito tempo, logo que, assim que, antes que, depois que, quando, de quando em quando, sempre que,etc.

7.Indicadores de condição - Preposições, conjunções e locuções:
se, caso, contanto que, a não ser que, a menos que, etc.

8.Indicadores de conclusão - Preposições, conjunções e locuções:
portanto, então, assim, logo, por isso, por conseguinte, pois, de modo que, em vista disso, etc.
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Classificação das conjunções

Conceito

Conjunção é a palavra invariável que une termos de uma oração ou une orações. No desempenho desse papel, a conjunção pode relacionar termos de mesmo valor sintático ou orações sintaticamente equivalentes - as chamadas orações coordenadas - ou pode relacionar uma oração com outra que nela desempenha função sintática - respectivamente, uma oração principal e uma oração subornada. Observe:

Nossa realidade social é precária e nefasta.
A situação social do país é precária,mas ainda existem os individualistas.
Não se pode deixar de perceber que a situação social do país é precária.

Na primeira frase,a conjunção e une dois termos equivalentes: “precária” e “nefasta”. Na segunda frase, a conjunção mas une duas orações coordenadas : “a situação do pais é precária” e “ ainda existem individualistas.” É fácil perceber que cada uma dessas orações é completa em si mesma,podendo até mesmo ser separada da outra por ponto. Na terceira frase, a conjunção que une a oração “ não se pode deixar de perceber” à oração “ a situação social do país é precária.” Note que o sentido do verbo “perceber” ,é, no caso,”perceber que a situação social do país é precária.” Isso significa que a segunda oração é subordinada à primeira,pois atua como complemento do verbo dessa primeira oração. A conjunção que está unindo uma oração subordinada à sua oração principal.

Locuções conjuntivas

São chamadas locuções conjuntivas os conjuntos de palavras que atuam como conjunções. Essas locuções geralmente terminam em que: visto que, desde que, ainda que, por mais que, à medida que, à proporção que, etc.

As conjunções são primeiramente classificadas em coordenativas e subordinativas , de acordo com o tipo de relação que estabelecem. As conjunções coordenativas ligam termos ou orações sintaticamente equivalentes. As conjunções subordinativas ligam uma oração a outra que nela desempenha função sintática; em outra palavras,ligam uma oração principal a uma oração que lhe é subordinada.

De acordo com o sentido das relações que estabelecem,as conjunções coordenativas são classificadas em:

01.aditivas ( exprimem adição,soma): e,nem,não só...,mas também..., etc;
02.adversativas ( exprimem oposição,contraste): mas,porém,contudo,todavia, entretanto,no entanto, não obstante,etc;
03.alternativas ( exprimem alternância ou exclusão): ou; ou...;ou...;ora...,ora...;etc;
04.conclusivas ( exprimem conclusão): logo,portanto,por conseguinte, pois (posposto ao verbo),etc;
05.explicativas ( exprimem explicação ): pois(anteposto ao verbo),que,porque,porquanto.

Já as conjunções subordinativas são classificadas em :

01..integrantes ( introduzem orações subordinadas substantivas ): que,se,como;
02.causais (exprimem causa) porque,como,uma vez que, visto que,já que,etc;
03.concessivas ( exprimem concessão) : embora, ainda que, mesmo que, conquanto, apesar de que,etc;
04.condicionais ( exprimem condição ou hipótese) : se,caso,desde que, contanto que,etc;
05.conformativa ( exprimem conformidade): conforme, consoante,,segundo,como,etc;
06.comparativas ( estabelecem comparação): como;mais...(do)que,menos...(do) que,etc;
07.consecutivas (exprimem conseqüência ): que,de sorte que,de forma que,etc;
08.finais ( exprimem finalidade): para que, a fim de que, que, porque,etc;
09.proporcionais ( estabelece proporção) : à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais...,menos...;etc;
10.temporais (indicam tempo ): quando, enquanto, antes que, depois que,desde que,logo que, assim que,etc.

Observação:

A classificação das conjunções devem ser feita a partir de seu efetivo emprego nas frases da língua. Por isso, as relações que apresentam não devem ser memorizadas: você deve consultá-las quando for necessário. O estudo efetivo do valor dessas conjunções só será possível quando observamos atentamente sua atuação.


Exercícios

Proclamação

Proclamo o e
Diante do ou
Sou e
Não ou
Sou, se só.

01. O poema tem quantos versos?
02.Observe atentamente o emprego das palavras “e” e “ou” no texto e responda: quais os significados que exprimem?
03. A partir da resposta à questão anterior, explique a que classe gramatical pertencem “e” e “ou”.
04. Explique em que consiste a “proclamação” que o sujeito lírico faz no texto. O que significa ser e, e não ser ou?
05. Como você interpreta o último verso do poema?
06. Você é e ou é ou? Ou é outra coisa diferente disso tudo?

Respostas:

01.Cinco versos
02.“E” indica união, soma,, adição; “ou” exprime alternância, divisão,dissociação.
03.No texto, essas palavras estão substantivadas (observar o artigo que as antecede). Originalmente, são conjunções coordenativas.
04.Significa optar pela união, pela ação conjunta, pela cooperação - e não pela dissociação, pela alternância, pela não-simultaneidade de ações.
05.é um verso de interpretação aberta. Pode-se interpretar como “Sou,se estiver sozinho” ou “Sou , se isso basta”,entre outras forma.
06.Reflexão pessoal do aluno. (op. cit. P. XXVII)

Atividades com conjunções

01.Procure unir as orações de cada um dos pares seguintes utilizando uma conjunção coordenativa:
a)Este é um país rico. A maior parte de seu povo é muito pobre.
b)Você se preparou dedicadamente . Será bem-sucedido.
c)É um velho político corrupto. Não se deve reelegê-lo.
dFique descansado. Eu tomarei as providencias necessárias.
e)Choveu durante a noite. As ruas estão molhadas.
f)Você pode se apresentar suas propostas esta noite. Pode ficar remoendo-as sozinho por muitas noites.
g)Você deve conversar abertamente com ela sobre seus sentimentos. Deve esquecê-la definitivamente.

02.A classificação de uma conjunção só pode ser realizada satisfatoriamente a partir de sua atuação efetiva numa frase. Observe os conjuntos de frases seguintes e procure indicar o tipo de relação estabelecida pela conjunção destacada:
a)Como chovesse, decidi adiar a partida.
Ele é compreensivo como um travesseiro.
Fiz tudo como combináramos.

b)A indignação foi tanta que produziu seguidas manifestações de rua.
Tivemos de sair correndo, que a situação ficou difícil!
Será que os brasileiros são maiores que a crise?

c)Por favor, fale mais alto, que eu também quero ouvir.
Outro, que não eu, suportaria calado tudo isso.

03.Leia o texto atentamente o texto que segue:

A busca da razão

Sofreu muito com a adolescência.
Jovem, ainda se queixava.
Depois, todos os dias subia numa cadeira, agarrava uma argola presa ao teto e, pendurado, deixava-se ficar.
Até a tarde em que se desprendeu esborrachando-se no chão:estava maduro. (COLOSANTI, Marina in: op. cit.p.328)

Releia o ultimo parágrafo do texto e responda: qual ou quais conjunções poderia ser utilizadas em substituição aos dois pontos?

04.O emprego equivocado de uma conjunção prejudica a estruturação e compreensão
de frases e textos. Comente o uso da conjunção destacada na frase seguinte e proponha formas mais eficientes de reescrevê-las ou substitua a conjunção por outra adequada.

A maior parte dos trabalhadores brasileiros não recebe um salário digno, mas enfrenta problemas de sobrevivência.

Respostas:

01.mas b) logo c)logo d)que e)porque f)ou g) ou ( nos itens a,b,c,d,e,podem-se usar outras conjunções além das utilizadas nas repostas aqui dadas).
02.a)causa /comparação/ conformidade b)conseqüência / causa / comparação
c) explicação e oposição

03.pois,uma vez que, já que

04. Não há oposição entre os dois fatos apresentados, e sim uma relação de causa e efeito.Em lugar de, mas, dever-se-ia usar por isso, daí; poder-se-ia também reestruturar a frase algo como: “ A maior parte dos trabalhadores enfrenta problemas de sobrevivência porque não recebe...”

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BARROS, Paulo Alberto M. Monteiro de (Artur da Távola).Colentura. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986, p.72. In: INFANTE Ulisses. Curso de gramática aplicada aos textos,5ª. ed.,São Paulo,Scipione,1997,p.324.


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Referências bibliográficas

CITELLI, Adilson. O texto argumentativo. São Paulo: Scipione, 1994.

FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. 12. ed. São Paulo: Ática,1996. (os grifos e formatações ao longo do texto são do organizador)

2 comentários:

EUSÉBIA SANTA ROSA disse...

Gostei muito desse material, bem organizado com exemplos práticos pronto para usar em sala de aula. Parabéns pela iniciativa e compartilhamento do conhecimento.

LÍNGUA PÁTRIA, PÁTRIA LÍNGUA disse...

Caro Prof. Esta aula eu a escrevi há uns dez anos para um curso de língua portuguesa que ministrava em uma IES em Brasília. Fiquei bastante surpreso em encontrá-la aqui.