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segunda-feira, 22 de março de 2010

Organização do Texto Dissertativo Argumentativo

TÉCNICAS DE REDAÇÃO
Prof. Eliorefe Cruz Lima (Org.)

Organização do Texto Dissertativo Argumentativo

Condições básicas para um texto Dissertativo Argumentativo:

1. Ter uma tese ou premissa. A tese é uma hipótese ou idéia possível de ser desenvolvida, justificada, comprovada, posta na situação de poder sustentar-se enquanto verdade. Ter possíveis respostas a serem dadas ao problema, colocando argumentos contrários, ou a favor. E, para isso, é comum nos textos argumentativos usar-se números, tabelas, depoimentos de especialistas no assunto, citações de pesquisas. E para a sustentação do ponto de é necessário que o argumentador realize pesquisas para se informar sobre o tema. (cf. Citeli, 1994).

2. Ter a consciência da variabilidade linguística, criando registros verbais adequados ao público ou tipo de leitor que pretende atingir (doméstico, professor, aluno, médico, engenheiro, advogado, camponês, raça, credo religioso, sexo, idade, condição social e cultural, etc) observando, para isso, o veículo de comunicação, ou seja, que meio de comunicação será usado, pois, dependendo dele, o mesmo assunto pode sofrer várias modificações com relação ao discurso. Porque cada meio de comunicação de massa tem um público alvo, por exemplo, o jornal O Estado de São Paulo é considerado de um nível lingüístico mais solene e rebuscado, a Folha de São Paulo, um nível intermediário e o Notícias Populares (hoje, Agora São Paulo), uma seleção vocabular mais corrente, construindo frases curtas e diretas. E, todos esses cuidados têm um único objetivo: a persuasão ou o convencimento, pois do contrário, a mensagem veiculada não alcançará os objetivos. ( cf. op. cit. p.12)

COMO SE FORMA O PONTO DE VISTA?

A construção do ponto de vista e visão das coisas decorrem de “experiências que acumulamos, leituras realizadas, informações obtidas, do desenvolvimento da capacidade de compreender e, sobretudo, ‘traduzir’ para as outras pessoas aquilo que desejamos dizer. (...) Apenas a presença de tais requisitos não garante a existência de textos argumentativos proficientes, mas sua ausência comprometerá os pretendidos objetivos de convencimento e persuasão.” (op. cit. p. 17)

O QUE FORMA O PONTO DE VISTA?

“Ao lermos os artigos de jornais que defendem certas teses, por exemplo, favoráveis ou não à pena de morte, ao aborto, à gratuidade do ensino superior, ao pagamento da dívida externa, (...) aos debates e comentários feitos pela televisão e pelo rádio, aos anúncios publicitários, aos discursos políticos ou religiosos, à discussão acalorada sobre futebol ou Fórmula 1, estamos diante da formação de visões de mundo, pontos de vista, concepções que pretendem, em última instância, influenciar nos conceitos, idéias, opiniões das pessoas.” (op. cit. p. 17,18)

POR QUE SE FORMA O PONTO DE VISTA?

A constituição do ponto de vista “decorre do fato de alguém operar a partir de um lugar social - a igreja, o sistema financeiro, a indústria, o trabalho assalariado - o cruzamento das várias formações discursivas; (...) um discurso ...marcado por outros discursos... a trajetória cultural das pessoas: leituras realizadas, convivências mantidas, informações às quais teve acesso.
Para “quem deseja ler ou escrever textos argumentativos... não basta aguçar a percepção ou está ‘ligado’ nas coisas do mundo; é necessário, ainda, trabalho de leitura, pesquisa, busca de informação; algo que envolve reconhecimento, análise, compreensão, sistematização e formalização do que pretendemos fazer crer aos outros.” (op. cit. p.19)


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Ao se criar uma TESE, ela tem que ser unívoca, que todos compreendam a mesma coisa. Univocidade X Ambigüidade. A tese tem que ser objetiva, direta, afirmativa ou negativa.

ELEMENTOS BÁSICOS PARA O TEXTO ARGUMENTATIVO (A Coesão Textual)

. Unidade Textual: Esta mantém a coerência e a lógica do pensamento. Manter a referência, o assunto, o tema, a tese de ponta aponta. Isso dá unidade ao texto. Qualquer digressão deve-se voltar ao assunto.
. Consistência do raciocínio lógico.
. Organização das provas de maneira que sejam pertinentes à tese.
. Argumentos de autoridades, exemplos, citações, estatísticas, mapas, refutações, tabelas etc.

FORMAS DE SE INTRODUZIR UM TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO

“Ao se produzir ou ao se organizar um texto, seja ele constituído de um parágrafo, de vários parágrafos ou até mesmo um livro inteiro, procura-se inicialmente situar o leitor a respeito do assunto (referência) e da abordagem ao assunto (tematização), [recorte do assunto = tema ] com o intuito de que a leitura possa fluir de maneira mais eficaz e o desenvolvimento do assunto esteja assentado em bases mais sólidas, conferindo assim maior credibilidade à abordagem que se está dando à referência do texto.
A este início dá-se o nome de ANCORAGEM, que significa fundar, fundamentar, basear, ancorar o desenvolvimento do texto numa informação que serve de apoio, de base, de ponto de partida. A ancoragem tem a função de situar adequadamente o leitor dentro do texto e permitir que o assunto seja coerentemente abordado.
Diversas são as formas de se introduzir um texto, porque vários são os fatores que interferem, dependendo da natureza do assunto, da sua complexidade, da intenção do autor ao abordá-lo, do veículo de comunicação em que se fará a divulgação, a que tipo de leitor se destina etc.(SAYEG-SIQUEIRA, 1995: 14)
Para se introduzir um texto dissertativo, “quatro maneiras foram consagradas, através das pesquisas e estudos feitos... e a elas nos ateremos.” (op. cit. p. 15)

1. Ancoragem com base num saber partilhado: conhecimento tomado como sendo de consenso – entendimento coletivo, acordo. Este saber partilhado pode aparecer explícita ou implicitamente.

2. Ancoragem com base em fatos: é feita a partir de um fato ou de vários dados contíguos – próximos, semelhantes, vizinhos. A partir deles, chegar a uma proposição que possa agrupá-los numa só afirmação.

3. Ancoragem com base numa citação: é assentada na palavra de uma autoridade. Esta dá credibilidade à opinião do autor.

4. Ancoragem com base num problema: é feita a partir do levantamento de um problema detectado pessoalmente ou através de relatos de outras pessoas. (cf. op. cit. p. 15 a 18)

Agora vejamos os exemplos para cada tipo de ancoragem com um texto apropriado.

1. Exemplo com ancoragem baseada no saber partilhado EXPLÍCITO
“O ator é um homem que trabalha em público com o seu corpo, oferecendo-o publicamente. Se o corpo é simplesmente mostrado como é - o que qualquer pessoa pode fazer - não realiza um ato artístico. Se é explorado por dinheiro, ou para ganhar favores do público, a arte do ator aproxima-se da prostituição. É um fato que, durante muitos séculos, o teatro andou associado à prostituição, num ou noutro sentido da palavra. Houve tempo em que as palavras ‘atriz’ e ‘cortesã’ eram sinônimas. Hoje estão separadas por uma linha um pouco mais nítida, não devido a mudanças no mundo do ator, mas porque a sociedade se modificou. Hoje, a diferença entre a mulher respeitável e a cortesã é que se tornou imprecisa.” (José Oliveira Barata. Estética Teatral – Antologia de Textos. Lisboa, Moraes, 1980, p. 194. In: Sayeg-Siqueira, 1995:15)

2. Exemplo com ancoragem baseada no saber partilhado IMPLÍCITO

“Muitas vezes a repetência escolar não é sinônimo de vadiagem. Segundo os especialistas, quando uma criança tem problemas de visão, todo o seu desenvolvimento pode ser afetado e é muito importante que a deficiência visual seja logo detectada e tratada. Mas a maioria dos pais não desconfia que seus filhos possam ter algum problema de visão.
O garoto Jorge Mota, de 12 anos, é um exemplo. Quando não passava de ano, sua mãe achava que ele era preguiçoso e não estudava, mas um exame oftalmológico indicou que ele precisava usar óculos. Segundo os médicos, os testes mostraram problemas na retina do garoto que, provavelmente, surgiram durante a gravidez da mãe, que ingeriu carne de porco contaminada por algum microorganismo. Atualmente, o desempenho escolar de Jorge, que já tinha repetido três vezes, melhorou muito.
O programa Ação Preventiva da Saúde Visual, realizado no ano de 88 em 47 escolas da Zona Leste da Capital, testou 22 mil alunos. Desse total, 3.353 apresentaram algum tipo de deficiência visual. Os dados mostraram que de 100 crianças, 15 apresentaram necessidade de passar por consulta oftalmológica e, destas, oito precisavam de óculos, ou seja, 8% do total dos alunos matriculados. ”(Diário Popular. São Paulo, 06.05.90.p. 04. In: op.cit. p.16)”.

3. Exemplo com ancoragem baseada em fatos

“Winston Churchill foi um aluno medíocre. Albert Einstein teve um desempenho tão ruim no 2º. grau que seus professores o aconselharam a desistir. E o escritor cubano Cabrera Infante costumava dizer: ‘Minha educação foi interrompida aos 4 anos , quando entrei no jardim de infância’. Longe de querer insinuar que as crianças que não se dão bem com estudos têm maiores chances de se tornar primeiro-ministro, gênio ou romancista famoso, os exemplos acima apenas demonstram um fato: Ter filhos que desenvolvem verdadeira alergia pelo ensino é mais comum do que se pensa e ocorre nas melhores famílias.” (Revista Cláudia, São Paulo:Abril, junho/ 1990. P. 129. In: op. cit. p. 17)

4. Exemplo com ancoragem baseada numa citação

SOBRE REMADORES E PROFESSORES

Eu gostaria de começar estas reflexões sobre o problema da pesquisa em educação com esta citação que retirei de A Imaginação Sociológica, de C. Wright Mills:
‘ A precisão não é o único critério para a escolha do método e não deve ser confundida, como ocorre, com freqüência, com o empírico ou o verdadeiro. Deveríamos ser tão precisos quanto formos capazes em nosso trabalho sobre os problemas objetos de nossa atenção. Mas nenhum método, como tal, deveria ser usado para delimitar os problemas que tomamos, quanto menos não fosse pelo fato de que as questões mais interessantes e difíceis de método começam, habitualmente, quando são aplicáveis a técnicas consagradas.’
Introduzo o problema do método logo de saída, porque freqüentemente a ciência é definida em função do seu método. Pensa-se que produzir conhecimento científico é a mesma coisa que produzir um conhecimento metodologicamente rigoroso, ignorando-se totalmente a significação ou relevância do conhecimento produzido. Michael Polanyi, uma discussão deste assunto, cita o caso do físico alemão Friedrich Kohlrausch (1840-1910), que declarou, numa discussão acerca dos objetivos das ciências naturais, que ele estaria perfeitamente feliz em simplesmente determinar com precisão a velocidade da água que se escoa pelo esgoto. Ele se equivocou totalmente acerca da natureza do valor científico, Polanyi observa; pois a precisão de uma observação não a torna automaticamente de valor para a ciência.
Não há dúvidas de que uma das marcas da ciência é o método de que lança mão. Mas o uso rigoroso de um método não pode ser o critério inicial e final na determinação da pesquisa. Muitas questões absolutamente irrelevantes podem ser tratadas com rigor metodológico, como a velocidade da água escorrendo no esgoto. Depois de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos acerca das tendências de meninos e meninas, na escola primária, os pesquisadores chegaram a conclusão de que os meninos se inclinam para atividades do tipo carpintaria e esportes, enquanto as meninas preferem brincar com bonecas. E para justificar a trivialidade das conclusões obtidas com métodos sofisticados acrescentaram: Antes nós simplesmente pensávamos que era assim. Agora nós sabemos que é assim.”(Rubem Alves. Conversas com Quem Gosta de Ensinar. São Paulo:Cortez, 1981. pp. 65-66.In: op. cit. p. 18)

5. Exemplo de uma ancoragem baseada num problema

“Até onde sei, por conhecer várias pessoas que têm filhos em idade escolar, há muitos anos as crianças não aprendem como se faz redação. Não se aplica mais o ditado. Agora é só trabalho de grupo. Os pais têm de comprar cartolina, procurar figuras e ter máquinas de escrever, pois muitas vezes os professores exigem que o trabalho seja datilografado. Não me consta que a criança saiba escrever à máquina e é aquela guerra em casa. A criança cola a figura, escreve qualquer coisa e o trabalho é apresentado. As crianças que têm pais instruídos ficam em melhor situação. As que não têm, acabam sem saber coisa alguma.” (Carta do leitor L.C.C. O Globo. Rio de Janeiro, 20.03.1977. In: op. cit. p. 18,19)
....................
Referências bibliográficas

SAYEG-SIQUEIRA, João Hilton. Organização do Texto Dissertativo: São Paulo: Selinunte, 1995

CITELLI, Adilson. O Texto Argumentativo: São Paulo: Scipione, 1994

5 comentários:

Anônimo disse...

Boa!

Anônimo disse...

OBS:
Podia citar exemplos ne...

Anônimo disse...

nice one but u can get more exemples!

Anônimo disse...

very thanks much good...
im gruduetion!!
good bye, lovee love

Anônimo disse...
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