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segunda-feira, 15 de março de 2010

O que faz de alguém um escritor?

Situação de aprendizagem 2 – O que faz de alguém um escritor?

Conteúdos e temas: conceito e definição de argumentação; texto argumentativo: artigo de opinião; co-nectores: conjunções.
Competências e habilidades: distinguir enunciados objetivos e enunciados subjetivos; reconhecer as lin¬guagens como elementos integradores de comunicação.


Atividade 1- Exercício de sondagem

1. Os trechos a seguir foram retirados de jor¬nais. Indique quais são parte de uma notícia (ou reportagem) e quais são parte de um artigo de opinião:

Trecho I: "(...) O Brasil precisa de agricultura livre de transgênicos para suprir o mercado inter¬no com alimentos saudáveis e baratos e, de¬pois, vender aos ricos mercados da Europa, Japão e China, que rejeitam OGMs. (Organismos Geneticamente Modificados) Eles pa¬gam até 10% a mais para se ver livres do mi¬lho 'frankenstein'*. A soja certificada como não-transgênica recebe dos europeus prêmio de até 8 dólares por tonelada (...)."

Trecho II: "(...) A discussão em torno da possível criação de uma zona livre da plantação de grãos transgênicos nos Estados do Paraná e de Santa Catarina causou reação do gover¬no do Rio Grande do Sul. Enquanto para¬naenses e catarinenses analisam supostas vantagens econômicas com a produção de alimentos sem modificação genética, gaú¬chos apostam que os produtores irão rejei¬tar determinações contrárias à libertação do cultivo de sementes transgênicas (...)."

Trecho III: (...) Na última safra, mais de 80% da soja plantada no Estado (RS) foi transgênica. Os agricultores gaúchos esperam a deci¬são do governo para saber se poderão uti¬lizar sementes do organismo modificado geneticamente para a próxima safra ou não.Publicamente, já disseram que, mesmo que sem permissão, pretendem repetir o uso (...)•"


2. Justifique sua resposta à questão anterior dizendo por que definiu os textos como notí¬cia ou como artigo de opinião.
3. Qual o assunto dos três textos?
4. Identifique nos trechos de opinião qual questão está sendo discutida e qual a posição do autor em relação a ela.

Atividade 2

"Em um texto dissertativo, o objetivo do autor é mostrar para seus leitores que ele tem razão em pensar daquela maneira."

Leia o texto seguinte para responder o que é sugerido

A redação e o vestibular

A redação nos chamados grandes ves¬tibulares não é bem o que se apregoa no Ensino Médio. Para atender ao que Unicamp, Unesp e USP, por exemplo, pedem a seus fu¬turos alunos, o candidato deve conseguir su¬perar o modelo oferecido pela maioria dos colégios e cursinhos.
Uma redação que siga uma estrutura mui¬to divulgada de introdução, com resumo do assunto abordado, desenvolvimento genérico do tema proposto e conclusão retomando a introdução, consegue no máximo uma nota mediana. Muitas redações mal pontuadas escondem o triste paradoxo de o candidato acreditar que havia feito um bom trabalho. (...) Antes de tudo, o perfil que as consideradas grandes universidades procuram é o do aluno que tenha algo a dizer. Por exemplo, o tema des-te ano da FUVEST, o tempo, exigia uma abstração ao mesmo tempo científica, sociológica e filosó¬fica, que não é comum na escola brasileira e não faz parte do cardápio usual dos cursinhos.
Sobre um tema como o tempo, muitos con¬seguiriam, nesse último vestibular, citar concei¬tos de sala de aula como "o tempo é relativo" ou "o passado explica o presente". Contudo é re¬duzido o número dos que justificariam razoavel¬mente tais teses fugindo de clichês mal formula¬dos, como "se Hitler tivesse estudado o passado, não teria repetido o erro de Napoleão, ao inva¬dir a Rússia no inverno". Poucos pensariam na possibilidade de Hitler dispor de um arma¬mento superior ao que Napoleão utilizara um século antes. A questão poderia ser não de desconhecimento histórico, mas de orgulho e crença na tecnologia da época.

1. Qual o assunto tratado e a opinião do autor a respeito. Escreva essa opinião em uma frase.

2. Qual o argumento que sustenta a opinião do autor apresentada na introdução do
artigo A redação e o vestibular!Que exemplo ele fornece de seu argumento?
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Uma boa argumentação exige que se discu¬ta uma questão controversa ou polêmica.

O que é uma questão controversa?
Nes¬te nosso estudo, chamamos de questão controversa, questão polêmica ou tese a afirmação cuja resposta não seja única, per¬mitindo, então, que se assumam diferentes posicionamentos. Se eu disser "A água é importante para a vida humana", não temos uma questão controversa, pois ninguém, com alguma medida de boa saú¬de mental, vai questionar essa afirmação. No entanto, se eu disser que "o trabalho infantil des¬respeita os direitos da criança", algumas pessoas concordarão; outras discordarão. Trata-se, cer¬tamente, de uma questão controversa. As questões controversas podem tanto ser de caráter particular como geral. A decisão entre "ficar" com um (a) menino (a) ou não é uma questão particular e não seria matéria para um artigo de opinião. Entretanto, ques¬tões sobre política, assuntos científicos, sociais e culturais são de interesse geral, visto que afe¬tam de uma forma ou de outra, grande núme¬ro de pessoas direta ou indiretamente. Além disso, não podemos confundir ques¬tão polêmica (ou tese) com assunto. Quando falo "o aborto" ou "as drogas" não tenho uma questão polêmica, mas um assunto. Sobre aborto e drogas eu posso ter as mais diferentes questões polêmicas. Por exemplo:
O aborto é um crime; o aborto é uma solução; as drogas prejudicam a saúde humana; as drogas prejudicam a economia de um país.

Atividade 3

Leia atentamente os trechos a seguir e identifique a questão controversa subjacente.

Trecho I: Prevenir é um grande trunfo para vence mais algumas batalhas contra a Aids; no entanto isso muitas vezes é ofuscado pelo desejo e esperança que cercam a busca pela cura: a pesquisa científica, a vacina, o avanço no desenvolvimento de medicamentos e a melhoria na assistência que apresenta um caráter de maior urgência e de resultados imediatos. Assim, de maneira geral a prevenção acaba ocupando uma posição secundária dentro das políticas de saúde voltada à Aids, sendo abordada em ações pontuais e isso ladas e desarticuladas entre si, que não resultam em mudanças de impacto e sustentáveis.

Trecho II: O que me espanta é que os jovens se quei¬xem de que têm poucas fontes de conhecimen¬to da sexualidade. Só nas últimas décadas, a escolas começaram a introduzir o tema nas salas de aula, assim mesmo com ênfase na hi¬giene corporal, tendo em vista as DSTs. A fa¬mília, aos poucos, começa a derrubar tabus exceto nas classes populares, onde a falta de conhecimento obriga os jovens a aprenderem “na rua", como se dizia na minha geração, Hoje. "aprende-se" na televisão. Primeiro, com a exacerbação do voyeurismo, tipo Big Brother. É o bordel despejado, via eletrônica, no quarto das crianças ou na sala da casa. Sem que famílias, escolas e igrejas cuidem da educação do olhar de crianças e jovens.

Trecho III: As empresas de motoboys estavam a mil, cada motoqueiro ganhava um salário que compensava o risco, assim como também foram os lotações. Agora vai começar o cadastramento, o controle, e a verdade é que o Estado está organizado para não deixar que a elite perca poder econômico e político, es¬tão todos preparados para boicotar qualquer tentativa de crescimento da classe tida por eles como mais baixa, que na real somos nós.
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Frankenstein'*: Está relacionado a um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório (Disponível em: . Acesso em: 15 mar.2010).
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Referência bibliográfica
São Paulo (Estado). Secretaria da Educação. Caderno do professor: Língua Portuguesa. Ensino Médio, 2ª série. vol. 1,pp. 18-28/2009.
(prof. Eliorefe Cruz Lima (Org.)

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