Páginas

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A redação no vestibular e no Enem

Tema 3: A redação no vestibular e no Enem- referência no GUIA - “Pequeno manual para redação”, págs. 150-157 (Guia amarelo - 1º Semestre 2009)
Competências e habilidades
- Formular hipóteses, antes da leitura do texto, sobre o seu conteúdo e forma, considerando as características do gênero, do suporte, do autor, da sua finalidade, da época de produção, dos recursos linguísticos empregados.
- Reconhecer as etapas para a produção de redação.
- Organizar esquemas para a produção de redação.
- Produzir texto dissertativo-argumentativo, com base em proposta que estabelece tema, gênero, linguagem, finalidade e interlocutor do texto.
- Analisar e revisar o próprio texto em função dos objetivos estabelecidos, da intenção comunicativa e do leitor a que se destina, redigindo tantas quantas forem as versões necessárias para considerar o texto escrito bem produzido.

Redação passo a passo
Um bom texto argumentativo pressupõe alguns elementos básicos, como a construção de um bom repertório e atenção com as antologias selecionadas. Tomar consciência deles ajuda numa preparação adequada para os exames
1Abordagem e ponto de vista
Exames vestibulares que apresentam antologias acabam por delimitar as abordagens do tema geral. Para o candidato, a antologia determina a objetividade com a qual deverá ser tratado o tema. E essa objetividade é uma das maiores cobranças das principais bancas avaliadoras. Considera- se bom o texto que consegue desenvolver uma tese a partir de considerações e argumentos legítimos e reconhecidos cientificamente, ou seja, distantes da experiência pessoal do autor, mas confirrmados por especialistas no tema tratado. A prova de redação apresentada pelo Enem, em 2007, solicitava do candidato o desenvolvimento de uma dissertação a partir do seguinte tema: O desafio de conviver com a diferença. Quando o tema se mostra tão amplo, mais uma vez a abordagem determina o sucesso da redação. Vejamos este exemplo ,extraído do parágrafo inicial de um candidato daquele ano:

“RESPEITO À VIDA”
Durante bilhões de anos, segundo Darwin, a vida vem se diferenciando por meio de processos evolutivos através dos quais surgiu o homem. Portanto, somos fruto da diferença. Embora pertençamos à mesma espécie, aspectos étnicos culturais nos diferenciam uns dos outros. Dificilmente iremos concordar com todas as manifestações culturais a que seremos expostos, porém temos de respeitar a todas, o que só acontecerá com a educação e com a civilização do indivíduo.”

A opção pelo pensamento de Darwin determinou o ponto de vista do candidato e demonstrou bom uso de bom repertório. Abordar “o convívio com a diferença” pelo “evolucionismo” determina opção clara do candidato pelo raciocínio científico.

2.Hipótese e tese
Um dos bons exercícios de redação durante o período de estudos para os exames é o levantamento de hipóteses. Chegar a possibilidades de análise e de interpretação dos fatos, muitas vezes relacionados pela proposta, pode estimular a capacidade de questionamento crítico do candidato. Boas hipóteses costumam evoluir para boas teses. A tese é a ideia central que se formulou acerca do tema proposto e que será desenvolvida pelo autor-candidato a partir de um ponto de vista. Já no primeiro parágrafo de nosso exemplo, o autor de “Respeito à Vida” – na prova de redação do Enem 2007 – esboçava a sua tese: “Somos fruto da diferença” e “Embora pertençamos à mesma espécie, aspectos étnicos culturais nos diferenciam uns dos outros.” Logo em seguida, no segundo parágrafo, procurava enriquecê-la e, assim, confirmá- la. Vejamos:
“Para compreendermos um determinado povo ou costume é necessário entendê-lo. Para entendê-lo é preciso estudá-lo. A escola de qualidade proporciona um aprendizado dos motivos pelos quais uma determinada cultura age desta ou daquela maneira.[...]”

3.Argumentação e progressividade
A argumentação é a principal peça no jogo do convencimento. Sempre que uma opinião necessita de defesa, o argumento vem em seu auxílio. Um bom argumento reforça a ideia central da redação e tende a convencer o leitor da coerência do pensamento apresentado pelo candidato. Por isso, quanto melhor o argumento, mais chances de sucesso terá o texto. E um bom argumento se formula a partir do repertório do escritor.
Veja como, ainda no segundo parágrafo, o autor do texto apresenta um argumento que aproxima sua tese — formulada a partir das teorias de Darwin — da cultura popular de reconhecida importância antropológica no Brasil:
“Não dá para entender o bumba-meu-boi sem saber quais são as raízes históricas e a formação da população do Amazonas”.
A progressividade argumentativa também é um critério importante de avaliação da redação. O modo como o candidato desenvolve a argumentação infl uencia a apreciação do ponto de vista. Por isso, é de bom-tom primeiramente apresentar o contexto temático, a problematização do tema e, depois, uma linha crescente de pensamento que explore o assunto
4.Desfecho
Concluir uma redação opinativa é concluir uma opinião sobre o tema apresentado pela proposta. Muitos jovens candidatos se preocupam excessivamente com essa etapa do trabalho, pois consideram, equivocadamente, que é preciso apresentar conclusões para o tema.
Mesmo quando uma prova solicitar um desfecho que apresente soluções para o tema (o que é raro), o candidato precisa levar em conta o fato de a proposta só poder solicitar soluções dentro da opinião do próprio autor-candidato exposta ao longo de toda a redação. Dessa forma, será avaliada sobretudo a coerência dentro do jogo das ideias comum ao debate argumentativo.
Observe o desfecho apresentado pelo texto “Respeito à Vida”:
“Somos diferentes, mas somos todos oriundos de uma mesma diferença, a vida. Respeitar o outro, independente de sua cor, credo ou cultura, além de uma questão ética e legal, é respeito à própria vida.”
O autor retomou o pensamento desenvolvido no início do texto e, sem abandonar o ponto de vista proposto, concluiu o raciocínio preservando o raciocínio lógico de todo o texto.






Critérios de correção

Tomando por base a concorridíssima Fuvest, fiquemos atentos a algumas boas informações de seu manual, muito adequadas também a outros exames de todo o Brasil. Vejamos:

1“A redação deverá ser obrigatoriamente uma dissertação [...].”
Uma dissertação é o gênero textual que apresenta uma opinião do autor sustentada por argumentação coerente. Talvez seja o texto mais simples de ser feito, mas não quer dizer que seja o mais fácil. É simples, pois o candidato não precisará criar personagens, enredos, confl itos etc. Por outro lado, será muito importante arregimentar informações que solidifiquem o ponto de vista sobre o tema proposto, apresentado no início da redação. Dissertar está muito próximo do jogo que se estabelece quando, em uma conversa, tentamos convencer a pessoa com a qual falamos de que o que pensamos sobre determinado assunto está correto. Geralmente reunimos exemplos, dados estatísticos, uma reportagem que lemos recentemente, a opinião de um especialista, entre outras coisas, na forma de citação. A dissertação é exatamente assim, só que por escrito. A opinião da tal conversa seria nossa hipótese sobre o tema, e as variadas tentativas de solidificá-la, para convencer o interlocutor, poderíamos chamar de argumentos.
A citação é um recurso importante em redações opinativas, pois demonstra vínculo cultural e habilidade de relacionamento de textos. É o mesmo que dizer que nossas opiniões fazem parte de um debate aberto. Contudo, é preciso ter cuidado para não usar a citação de modo indevido, apenas para demonstrar conhecimento à banca examinadora. A citação só será bem-vinda quando for adequada à linha de raciocínio empregada pelo autor e se encaixar no desenvolvimento da argumentação.

2. Pressupõe-se que o candidato demonstre a habilidade de compreender a proposta de redação e, quando esta contiver uma coletânea, que ele se revele capaz de ler e de relacionar adequadamente os trechos que a integram.”
A coletânea é o conjunto de textos que acompanha a proposta. Articular os textos é, antes de mais nada, perceber e trabalhar com a ligação que há entre eles. Não é tão difícil. Apesar de terem naturezas distintas, estarão sempre ligados pelo tema geral. O candidato não precisa assumir a opinião de um filósofo ou de um letrista da música brasileira só por estarem relacionados na coletânea. O melhor caminho é utilizar um ou outro posicionamento daqueles textos durante a argumentação, às vezes para questioná-lo.

3.“Coesão textual e coerência das ideias.”
A coesão de um texto é a boa articulação das partes de um parágrafo. O melhor caminho é estudar a organização das orações dentro dos períodos. Conjunções, preposições e pontuação adequadas são importantes para a fl uidez do texto. Por isso, evitar períodos muito longos pode ajudar. A coerência das ideias pode ser percebida quando, no desenvolvimento do texto, a argumentação confirma e reafirrma o posicionamento adotado pelo autor desde o início da redação. A coerência é um dos critérios mais importantes para a banca examinadora. É sempre bom observar com atenção se o que se afirma até o fim da dissertação não compromete o que se apresentou no início dela.

4. No que diz respeito ao desenvolvimento, verificar-se-á, além da efetiva progressão temática, também a capacidade crítico-argumentativa que a redação revele. ”
A progressão temática é medida pelos avaliadores a partir da argumentação e determina o bom desenvolvimento da redação. Argumentos mais definitivos, dos quais seria muito difícil discordar — opinião de especialista no assunto, dados estatísticos —, devem ser reservados para a parte final do texto, enquanto argumentos mais próximos do senso comum servem de aquecimento e estariam mais bem alojados no início da redação. A melhor imagem talvez seja a de um mergulho; primeiro, o mergulhador avalia as condições gerais de profundidade e temperatura da água, para, só depois, mergulhar e explorar detalhes e riquezas variadas, objetivo de sua atividade.
A “informatividade” é o alimento para a “capacidade crítico-argumentativa”. Quanto maior e mais variada for a leitura do candidato sobre os acontecimentos do mundo, mais chances de contemplar essa expectativa dos avaliadores. Jornais de qualidade e literatura – a lista de leitura obrigatória, nesse caso, é a melhor dica – formam uma boa base para o repertório informativo.

5. “Domínio do padrão culto escrito da língua e a clareza na expressão das ideias.”
O padrão culto é tão somente a língua portuguesa escrita que consta nas gramáticas convencionais. Trabalhar corretamente com as regras estabelecidas, evitar os descuidos ortográfi cos e caprichar no uso da pontuação torna o texto mais receptivo para os avaliadores. Clareza se conquista com uma linguagem franca e direta, elaborada com vocabulário adequado ao tema, sem o uso excessivo de metáforas ou de outros recursos de textos artísticos.

É PRECISO EVITAR
A coletânea pode orientar e ajudar o candidato a situar-se dentro de um debate amplo sobre o tema proposto, mas não deve ser usada de modo indevido. Conforme o manual, cópias ou simples paráfrases serão considerados aspectos negativos para a avaliação.
Clichês* , frases feitas e uso de vocabulário inadequado também são considerados aspectos negativos e podem prejudicar substancialmente a nota de uma redação. Normalmente, quem faz uso de clichês não possui bons argumentos. O “falar bonito” não agrada a avaliadores, que esperam consistência do candidato a uma vaga na universidade. É melhor utilizar um vocabulário condizente com o tema proposto, com rigor e simplicidade.
........................
Clichê *é o nome que se dá a um tipo de vício da comunicação. Normalmente a partir de jogos de palavras, o autor apresenta um pensamento já bastante batido em linguagem supostamente “bela” . Não só demonstra falta de originalidade como, geralmente, traz expressões de mau gosto e pode, por isso, enfraquecer o argumento.
...............................

1º SEMESTRE 2009 ATUALIDADES VESTIBULAR ,155 (os grifos são do organizador)
Prof. Eliorefe Cruz Lima(Org.)

Nenhum comentário: