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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Papos e milongas

Dizia um:
- Meu lunfa,lalau azarado está aqui.Fiz um otário com cinco giripócas,dois enforcados e um abobrão;depois mandei a chuca de uma coroa,que só tinha uns picholés,mas um James Band estava na minha cola e, quando eu quis fazer o esquinaço,fui guindado. O tiruncho me tocou a bracelete e eu fui falar com o majurengo. Positão. Entrei no flagra. O papa-gente,na metralhadora,era uma coisa.
Resultado: Águas de Carandiru,meu irmão da ôpa.
Dizia o outro:
- Tu és um vagau pé de chinelo. O bonzão aqui, só mete a mão em cumbuca,por um pororó leguete;nem sou do espianto,nem do escruncho,nem do atraque. Meu negocio é tomar na maciota. Sou vigário linha de frente,meu chapa.
Os estácios entram na minha,fácil,fácil. O meu pla é gostoso. E até hoje não caí do cavalo.
Manja essa. Larguei o violino na mão do judeu do brexó,que me passou às mães,um arame firme;depois deixei a guitarra com o portuga do buraco quente,que abonou o papai com mil cruzeirão.
Como tu vê,tou largando a minha brasa,na praça,e não vou entrar,caindo do burro.
Para mim,na tiragem só dá olho de vidro.
E o outro:
- Pois eu,meu chaporeba,sou da marijuana. Faturo horrores ali no lixão. Numa só pavuna eu marreto várias pacáus, e cada fininho vale um Santos Dummont. Os tiras estão sempre de holofotes ,mas o vivaldino tem vagólio na campana.
Até hoje,só puxei uma,na casa do cão. Foi quando a Excelência me tocou três anos de galera e dois de medida.
Mas agora estou na libertina e o negócio é levantar uma nota traficando a xibaba e, se os cherloques meterem uma escama em cima,tá na cara;um vai amanhecer com a boca cheia de formiga.
Morou?
Ziriguidum pra você.
E outro ainda:
- Estás por fora,ó ligação. Vou salivar. Cruzei com uma mina e quase entrei de gaiato.
Apanhei meu pé de borracha e fui sassaricar pela aí. Tirei linha com uma ragaza e ela gamou na hora. Se mandamos pro esquisito. O hotel das estrelas tava legal às pampas. Bitoca vai,bitoca vem,tu já se mancou,né? Mas na hra da onça beber água, lá se vem as mega de cara comprida. Positório . Partimos pruma candanga,que não foi bolinho,não. No meio da confusa a muxuxa deu o pirulito e o vagolino aqui,teve de se rebolar,porque os cavaleiros da meganha entraram firmes de rabo de galo.
A dança de rato engrossou. Dei uma na tampa do milico, que o escamoso ainda está rodando;depois me arranquei no caranguejo e recebi uma chuva de azeitonas quentes;quase me queimaram as antenas.
Meu liga,enfrentar a raça não é mole,não.
Depois o outro:
- Vê se te manca,ó migué. Pra mim esse papo é furado. Se quiseres um papo firme,mora na minha: Eu já puxei um mofo. Já fui, várias vezes cidadão Carandiru. Nunca fui da mazela. Meu negocio era tomar na morra,e nunca dei arrêglo a tira ravêsso. Já topei cada dança de rato de fechar o tempo. Arribite estourou na minha telha que nem pipocas no tacho. Quase me vestiram o camisolão.
Mas hoje tou no cachimbo da paz. Tou limpo com os homens. Dou um duro lavando cavalo cego,pra dar uma papa de bom pra minha cachanga e os cagasebo.
Larguei mão de ser vago-mestre. Pendurei as chuteiras.
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SILVA,Felisberto da. Dicionário de Gíria: gíria policial,gíria humorística,gíria dos marginais.7.ed. São Paulo:Luzeiro Editora, s.d.p.9-11.

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