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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO: Os Marcadores de opinião e preservação e perda da face

Por prof. Eliorfe Cruz lima

Considerações iniciais

O presente estudo parte de uma amostra de uma entrevista para investigar o fenômeno dos marcadores de opinião e preservação e perda da face ao longo da entrevista. O objetivo desse estudo é mostrar como certos marcadores conversacionais que denotam incerteza e alguns modalizadores modificam o valor, atenuam e diminuem a força ilocutória de um enunciado. E como eles fazem com que o locutor não se veja ou se sinta tão comprometido com os juízos emitidos ,preservando, assim, a face diante de um público. Um outro recurso de preservação da face é fazer alusão a terceiros. Este é utilizado para conferir às palavras do locutor maior fidelidade ou valor de verdade . Sobre isso Galembeck (Preti, 1999:182) afirma que “o falante incorpora as palavras das pessoas que cita e as emprega para obter crédito ou aprovação”.
A amostra foi coletada de forma espontânea na casa do documentador e marcada antecipadamente com o escritor Alan Brizotti . O assunto da entrevista deu-se em torno de “O Diário de um Poeta”, primeiro romance lançado pelo escritor .
Para a transcrição do evento comunicativo foram adotadas as normas desenvolvidas pelos estudiosos do Projeto NURC/SP (Norma Urbana Culta de São Paulo) da Universidade de São Paulo (USP).
1.O conceito de face
Para análise desse estudo consideramos necessário iniciá-lo pela explicação de “ preservação e perda da face e marcadores de opinião.” Depois, aplicar os exemplos fazendo uso do Corpus recolhido para esse estudo.

Sobre a preservação e perda da face Galembeck tece alguns comentários que

nos diálogos e nas demais formas de interação face-a-aface (entrevistas aulas, palestras),o falante acha-se em posição vulnerável,já que expões publicamente sua auto-imagem (face).Dessa forma, ele corre o risco de exibir o que deseja ver resguardado e deixar de colocar em evidência o que tem a intenção de mostrar. Por esse motivo, o falante adota procedimentos que lhe permitam controlar a construção dessa auto-imagem. (Preti, 1999:173)

E,apoiado nas idéias de Goffman ,Galembeck ( op.cit 1999:174) salienta que “o fato de alguém entrar em contato com outros constitui uma ruptura de um equilíbrio social pré-existente e, assim, representa uma ameaça virtual à auto-imagem pública construída pelos participantes do ato conversacional.” E conclui dizendo que a face “é a expressão social do eu individual.” As idéias de Goffman,segundo Galembeck,foram aprofundadas por Brown e Levison . Estes “ estabeleceram a distinção entre face positiva ( aquilo que o interlocutor exibe para obter aprovação ou reconhecimento) e face negativa(‘território’ que o interlocutor deseja preservar ou ver preservado).”
E,ainda, sobre o conceito de face ,Maingueneau afirma que
a comunicação verbal é também uma relação social,ela se submete como tal às regras que costumamos chamar de polidez. Transgredir uma lei do discurso (falar fora do assunto,ser hermético , não dar as informações solicitadas etc.)é se expor e ser chamado de ‘ mal-educado’ . O simples fato de dirigir a palavra a alguém, de monopolizar a sua atenção já é uma intrusão no seu espaço,um ato potencialmente agressivo. (Maingueneau 2001: 37,38)
E o autor ainda nos mostra que um outro recurso de preservação da face é “quando o enunciador cita o discurso direto a fala de alguém,não se coloca como o responsável por essa fala,nem como sendo o ponto de referência de sua ancoragem na situação de enunciação.” E o mesmo autor ainda focaliza que outra possibilidade de preservar a face é utilizar o recurso “modalização em discurso segundo.” Este é “um modo mais simples e mais discreto para um enunciador indicar que não é o responsável por um enunciado: basta-lhe indicar que está se apoiando em um outro discurso.” Esses modalizadores podem ser expressos lingüisticamente por um verbo no futuro do pretérito, o nome da fonte de onde é tirado o discurso - nome de uma pessoa, entidade,segundo X ,segundo dizem, digamos assim ,etc ou por advérbios de modo ou uma outra expressão que denota a não responsabilidade de quem fala como “talvez, manifestantes, provavelmente, parece, de alguma forma...” (op.cit. p.139).

2.Marcadores de opinião
Segundo Galembeck ,
os marcadores de opinião são apresentados por duas classes de elementos gramaticais : os verbos de opinião,geralmente utilizados na primeira pessoa do singular( acho,creio,suponho,vejo,noto e similares) e certas expressões adverbiais ( na minha opinião,no que me diz respeito e similares) (...) o emprego de verbos que prefaciam ou introduzem a opinião do falante representa uma indicação de que ele assume integralmente a própria opinião. (Preti, 1999:182)

2.1.Procedimentos que marcam o distanciamento do locutor
Como foi demonstrado acima, sobre as várias possibilidades de preservação da face, ainda há outras formas de o locutor se eximir de responsabilidades daquilo é dito: o uso de “procedimentos de distanciamentos.” A respeito disso,Galembeck afirma que
nos textos conversacionais,( ...) os interlocutores sabem que a manifestação direta de opiniões pode torná-los vulneráveis a críticas e opiniões contrárias. É importante, por isso, promover o apagamento das marcas da enunciação, o que é obtido com o recurso de certos recursos gramaticais utilizados para a expressão da impessoalidade ( é possível que,parece que,é provável) e da indeterminação do sujeito( dizem,falam,diz-se) e,também, com emprego dos marcadores de rejeição(não sei,se não me engano) (Pretti,1999:175,176)

2.2.Marcadores ‘hedges’

Ainda nesse assunto de procedimentos de preservação da face ,Galembeck comenta sobre os “ marcadores hedges”. Segundo o autor, os ‘hedges’

são os marcadores que,de qualquer forma,modificam o valor ilocutório de um enunciado.Entre os seus marcadores,interessam,como marcas de opinião,sobretudo os que atuam como atenuadores,modificando a força assertiva dos enunciados,como os ‘hedges’ que sinalizam atividades de planejamento verbal (assim,quer dizer,digamos, vamos dizer) .(op cit.1999:186)

e das expressões que denotam incerteza como “ talvez,quem sabe, sei lá, não sei e assemelhadas ,as quais diminuem a força ilocutória dos enunciados opinativos e , assim,fazem com que o locutor não seja tão comprometidos com os juízos emitidos.” .(op cit.1999:187)

3. Análise da amostra aplicando as teorias.

Os mecanicismos lingüísticos usados pelo falante na preservação da face conforme explanado acima,é revelado explicitamente ,em nossa amostra, como podemos observar nos trechos seguintes:

3.1. Uso do “hedge” talvez e a alusão a terceiros como atenuadores do enunciado

( 1 )
(...)

Doc. éh teria assim uma possibilidade de um jovem ensinar o ancião?

Inf. 01.talvez...porque::: como::: / Chico Buarque disse uma vez “ que nem toda lucidez é 02.velha...” né? então::: é importante notar essa essa vontade... de de::: que haja uma uma 03.compatibilidade.... que eu sempre costumo mesclar a experiência do velho... e a força e 04.dinamismo do jovem...até às vezes a experiência do velho e a inconseqüência do 05.jovem...essa dor de não saber amanhã... ajuda a crescer...e a dor de não poder resgatar o 06.ontem me faz investir no amanhã do outro...vou criando essa ponte né? de de 07.relacionamento ...porque ninguém vive sozinho ... não há vida quando você se isola da 08.própria vida ..então é preciso juntar mesclar as coisas ...por exemplo.... quando a 09.pergunta que surge na mente é justamente esta “como é que pode um ancião aprender 10.com com o jovem”? e a resposta é simples...ninguém morre sabendo... nem nasce...e a 11.vida continua assim....Fernando Pessoa diz a que “ a vida é a arte de 12.desaprender...”né? e a gente vai sempre desaprendendo...
(...)

Questionado sobre a possibilidade de um jovem ensinar a um ancião o informante inicia com um “hedge” que denota incerteza “ talvez ” ( L1) como forma de diminuir a força ilocutória do enunciado opinativo,assim,o locutor não se vê tão comprometido com juízo emitido,ou seja,ele afirma, mas não categoricamente que o jovem tem a possibilidade de ensinar a um ancião.. Entretanto, logo em seguida, o informante incorpora as palavras do compositor brasileiro como forma de, no discurso do outro, obter crédito ou aprovação, ou seja, talvez o jovem possa ensinar a um ancião sim, pois “Chico Buarque disse uma vez ‘ que nem toda lucidez é velha...’” (L 1 e 2) e afirma que “... ninguém morre sabendo... nem nasce” (L10) e conclui o pensamento com outra alusão a terceiros, um escritor português: “Fernando Pessoa diz a que ‘ a vida é a arte de desaprender...’” (L 11 e 12). Assim, podemos perceber que o informante, usando sabiamente o “hedge” “talvez” e “a alusão a terceiros” , o discurso do outro, afirma que o jovem ensina a um ancião sim, mas não se compromete com a assertiva.

3.2. Uso dos marcadores “hedges” como atenuadores, marcadores de opinião e planejamento verbal.
( 2 )
(...)
Doc. 01.alguma frase que achei interessante já anotei algumas aqui já...parece dar 02.aquele..../ aquela frase de efeito né? tocar as pessoas por exemplo .... “ a 03.loucura fascina”. “a humanidade” éh::: “adora espelho” ... “todos os homens 04.choram”... ”sou o silêncio...” então....o porquê dessa motivação .....o autor ..../ 05.você se espelha numa coisa assim....? / tem alguma coisa a ver com você?

Inf. 06.eu acho interessante / eu fiquei muito tempo analisando esse esse ....vamos 07.colocar....esse mistério que é a loucura....e eu fiquei com um pergunta na 08.cabeça....porque o louco cria?é interessante isso....porque só o::::/ porque se 09.observar bem não é só o normal ô::: as pessoas normais que criam...o louco 10.também cria....só que ele não baseia sua criação em outras coisas nem cria pra 11.pra se....vamos dizer assim.... se mostrar ...cria pelo simples criar... “a loucura 12.fascina....” e essa::: esse fascinar esse fascínio....que eu coloco pela loucura...não 13.não no sentido como as pessoa imaginam aquela loucura ....estranha né? vamos 14.dizer assim.... esquiSIta....pessoa.... amaRRAda....toda aque / aquela coisa 15.estranha...mas a loucura genial....que é aquela que....

Doc. 16.aquela coisa do ousAR...

Inf. 17.isso...a loucura dos absurdos...que pode chegar e::: e se auto-afirmar ou dizer 18.que é quem é....

Doc 19. uhn

Inf. 20. não importando o:::o que pareça isso aos outros... aos olhos dos outros....é 21.como eu sempre digo...o:: a GEnialiDAde...é uma espécie de loucura....

(...)

Podemos observar no exemplo ( 1) , o marcador “talvez” como sinalizador de atenuação. Aqui, no exemplo (2) ,além de eles funcionarem como atenuadores ,também atuam como planejamento verbal. O informante ao ser indagado sobre a motivação do uso de “frases de efeitos”, ele afirma categoricamente com o marcador de opinião “ eu acho interessante.” Aqui parece que o falante assume integralmente a própria opinião.( L1). No entanto, a expressão “ ....vamos colocar...” ( L 1 e 2), sinaliza atividade de planejamento verbal. Já o marcador “....vamos dizer assim....”, ( L 11 e 14) além de atuar como um planejamento verbal, também atenua a força ilocutória do enunciado que diz : “...o louco também cria....só que ele não baseia sua criação em outras coisas nem cria pra ...pra se... a loucura fascina....” ( L 10,11,12). Assim, falar que “ a loucura fascina”, seria comprometedor ao enunciador, mas ao usar o atenuador “vamos dizer assim” ,de certa forma modifica ou atenua o valor ilocutório do juízo emitido.

3.3 Marcadores de opinião e mais alusão a terceiro

Dando continuidade a análise da amostra ,utilizando os marcadores de opinião e alusão a terceiros,veremos mais exemplos a respeito nos tópicos que seguem:

( 3 )

Doc. 01.entre esses dois personagens....alguns deles que você ...éh que se identifica com 02.ele?tem alguma coisa a ver com você?

Inf. 03.ÉH...existe essa e e esse dualismo... o Péricles de Malta porque eu gosto muito 04.da cultura grega.... e....dessa coisa do professor de filosofia...da história... e:: o 05.an o Miguel Ângelo pela FORça... que ele tem... o Miguel Ângelo inclusive é 06.uma espécie de homenagem a Michelangelo que eu acho genial...um dos mais 07.geniais que a história já viu...então...se você observar também / eu gosto muito 08.da cultura russa e da literatura russa... Adamov Gogol Pushkin então 09.Nabokov Tolstoi ... você vê éh... Dostoiévski ,então eu procu / ....eu coloquei 10.muita cultura russa no livro...você vê nomes como Ivan... Sônia...né? são são 11.....éh:::; essa esse FRUto... dessa minha visão desse meu envolvimento com a 12.cultura russa...que eu acho a:: literatura russa ...eu acho absolutamente 13.genial...quase toda ela...

Doc. 14. éh legal éh... e::: qual foi o propósito de escrever esse livro? você tem pretende 15.com a:: com esse livro muDAR o comportamento de alguém ou mudar o o... / 16.uma determinada sociedade ou o mundo ...com a leitura desse livro?

Inf. 17. éh:: minha intenção é fazer as pessoas redescobrirem sua própria 18.vida...entenderem que elas vivem... Chesterton um teólogo... ele dizia o 19.seguinte “os profetas do Antigo Testamento costumavam lembrar as 20.pessoas nas suas profecias que elas iriam morrer...um dia... os profetas do 21.hoje... precisam lembrar as pessoas que elas estão vivas...” é isso que eu 22.tento fazer...

Indagado se algum dos personagens da obra,tinha ligação com a sua vida, o informante responde que há um dualismo de representações ,ou seja,os dois personagens parecem representá-lo de alguma forma . O primeiro, o Péricles de Malta , ( L 3,4) faz lembra-lo do mundo da filosofia. E justifica dizendo gostar muito da cultura grega e também da cultura e literatura russa dizendo : “ eu gosto muito da cultura grega.... eu gosto muito da cultura russa e da literatura russa.( L 3,4,7,8). E o segundo, o Miguel Ângelo ( L 5), representa a ele , a força, o dinamismo e a disposição. E , repetindo o que foi dito anteriormente, para reafirmar tudo isso, o informante ancora sua resposta nas literaturas grega e russa . Ainda utiliza o marcador de opinião “ que eu acho/...eu acho” ( L 6,12,13) demonstrando assumir integralmente a própria opinião: “ que eu acho a:: literatura russa ...eu acho absolutamente genial...quase toda ela...”
E solicitado que falasse do objetivo de ter escrito o romance o entrevistado responde : “ éh:: minha intenção é fazer as pessoas redescobrirem sua própria vida...entenderem que elas vivem... ( L 17,18). E para conferir ao seu discurso maior fidedignidade ou valor de verdade mais uma vez o informante faz alusão a terceiro citando um teólogo dizendo: “Chesterton um teólogo... ele dizia o seguinte ‘os profetas do Antigo Testamento costumavam lembrar as pessoas nas suas profecias que elas iriam morrer...um dia... os profetas do hoje... precisam lembrar as pessoas que elas estão vivas...’ é isso que eu tento fazer...”

4. Considerações finais

As etapas percorridas para a realização deste estudo pretenderam mostrar como os fenômenos dos marcadores de opinião e preservação e perda da face, fizeram-se presentes ao longo do evento comunicativo. Assim, ficaria repetitivo retomar todos os tópicos nos quais esses fenômenos aparecem. Desse modo, acredita-se que os segmentos apresentados como exemplos são suficientes para demonstrar como esses fenômenos ocorrem e concretizam a teoria apresentada no decorrer desse trabalho.
Constatou-se que ao recorrer aos mecanismos lingüísticos de atenuação e preservação da face possibilitou observamos que as inserções dos marcadores conversacionais que denotam incerteza e alguns modalizadores modificam o valor, atenuam e diminuem a força ilocutória de um enunciado. E como eles fazem com que o locutor não se veja ou se sinta tão comprometido com os juízos emitidos ,preservando, assim, a face diante do seu público.
Finalmente, é importante mencionar que, neste trabalho, não tínhamos a intenção de abordar as múltiplas ocorrências dos diversos fenômenos do processo conversacional que a interação espontânea nos oferece, mas consideramos a amostra documentada uma fonte rica de ocorrências como, por exemplo, algumas sobreposições de vozes, simetria/assimetria, hesitações, truncamentos bruscos, repetições, a interação do pronome você, entre outras questões.

Referências Bibliográficas

GALEMBECK, Paulo de Tarso. Preservação da face e manifestação de opiniões: um caso de jogo duplo. In: PRETI, Dino (Org.). O discurso oral culto, 2.São Paulo:Humanitas ,1999,p.173-194.

MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. Trad. SOUZA-E-SILVA, Cecília P. de. & ROCHA, Décio. São Paulo: Cortez, 2001, p.37, 38,137-155.

Bibliografia de apoio

FÁVERO, Leonor Lopes & ANDRADE, Maria Lúcia Victório de Oliveira. Os processos de representação da imagem pública nas entrevistas. In: PRETI, Dino (Org). Estudos de língua falada: variações e confrontos. 2. ed., São Paulo: Humanitas, 1999, p153-175.

FÁVERO, Leonor Lopes. A entrevista na fala e na escrita. In: PRETI, Dino (Org). Fala e escrita em questão. São Paulo: Humanitas, 2000,79-96.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita. Atividade de retextualização. 2.ed.,São Paulo,Cortez,2001,pp.112,113.

---------------- Análise da conversação. 3.ed.,São Paulo:Ática,1997

----------------- Marcadores conversacionais no português brasileiro: formas, posições e funções - trabalho de estudos de pós-doutorado com bolsa do Conselho Nacional de Pesquisa, Freiburgo I. Br. R.F.A. 1987.

PRETI, Dino & URBANO, Hudinilson (Orgs.). A linguagem falada culta na cidade de São Paulo: São Paulo: T.A.Queiroz/FAPESP, 1988, v.3, p.1-7.

PRETI, Dino. Alguns problemas interacionais da conversação. In: PRETI, Dino (Org). Interação na fala e na escrita. São Paulo: Humanitas, 2002, p.45-66.

MEDINA, Cremilda de Araújo. Entrevista: o diálogo possível. 4.ed.,São Paulo: Ática,2001.

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